domingo, 13 de janeiro de 2008

RESUMO DE LIVRO - A identidade cultural na pós-modernidade, de Suart Hall

Por: Eduardo Carneiro

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. ed. 9°. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.


CAP. 1 – A IDENTIDADE EM QUESTÃO (p. 7).

- A globalização tem contribuído para o surgimento de novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno. Mudanças no sentimento de pertencimento.

- Tese do livro: as identidades estão passando por um processo de descentralização ou fragmentação. As identidades modernas estão entrando em colapso.

- Objetivo: analisar as conseqüências dessa fragmentação.

- Este duplo deslocamento ocasiona a crise da identidade: deslocamento do indivíduo no mundo social em que vive e deslocamento de si mesmo.

- Três concepções de identidade: ILIMINISTA: concepção individualista do sujeito; indivíduo centrado, dotado de razão, consciente de sua ação; é o centro do “eu”. SOCIOLÓGICO: o centro do “eu” passou a ser formado na relação com outras pessoas. A identidade é formada através da interação entre o eu e a sociedade.

- O eu projeta a si mesmo na identidade cultural, ao mesmo tempo em que a internaliza. O sujeito fica preso a estrutura. PÓS-MODERNO: não tem uma identidade fixa. Varia de acordo com as formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam. O sujeito assume identidades de acordo com a ocasião e o momento. Não há um “eu” coerente, nossa identidade é contraditória.

- A multiplicidade de sistemas de representação possibilitou a multiplicação das identidades possíveis. “O sujeito, previamente vivido como tendo uma identidade unificada e estável, está se tornado fragmentado; composto não de uma única, mas de várias identidades... O próprio processo de identificação, através do qual nos projetamos em nossas identidades culturais, tornou-se mais provisório, variável e problemático” p. 12.

“A identidade torna-se uma celebração móvel: formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas cultuais que nos rodeiam. É definida historicamente, e não biologicamente. O sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um eu coerente.

- Dentro de nós há identidades contraditórias, empurrando em diferentes direções, de tal modo que nossas identificações estão sendo continuamente deslocadas. Se sentimos que temos uma identidade unificada desde o nascimento até a morte é apenas porque construímos uma cômoda estória sobre nós mesmos ou uma confortadora narrativa do eu. A identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia” (HALL, p. 13).

 - SOCIEDADES TRADICIONAIS: o passado é venerado e os símbolos valorizados, pois perpetuam a experiência de gerações passadas. - SOCIEDADES MODERNAS: mudanças rápidas e contínuas. “As sociedades modernas são, portanto, por definição, sociedades de mudanças constantes rápidas e permanentes” p. 14.

- MODERNIDADE: rompimento com o passado, processo sem fim de rupturas e fragmentação internas no seu próprio interior. A sociedade não é um todo unificado, uma totalidade evolutiva. Ela está em constante descentramento. Cada antagonismo é uma identidade. “Uma vez que a identidade muda de acordo com a forma como o sujeito é interpelado ou representado, a identificação não é automática, mas pode ser ganhada ou perdida” p. 21.

- A identidade cultural moderna é formada através do pertencimento a uma cultura nacional e como os processos de mudanças. CAP. 2 – NASCIMENTO E MORTE DO SUJEITO MODERNO (p. 23).

- Como o sujeito se tornou centrado em si mesmo? Cada concepção de sujeito tem sua própria história.

- A modernidade libertou o homem das tradições que eram divinamente estabelecidas. O homem passou a ser soberano. O sujeito moderno surgiu como fruto do ceticismo.

“A idéia de que as identidades eram plenamente unificadas e coerentes e que agora se tornaram totalmente deslocadas é uma forma altamente simplista de contar a estória do sujeito moderno” p. 24.

- Concepção iluminista e sociológica (p. 31).

- FASE DA MODERNIDADE TARDIA, cinco acontecimentos: a) Pensamento marxista, b) Inconsciente de Freud, c) lingüística de Saussure, d) Filosofia de Foucault, e) Feminismo.

- O inconsciente formulado por Freud arrasou com o eu iluminista.

“A Identidade é realmente algo formado, ao longo do tempo, através de processos inconscientes, e não algo inato, existente na consciência no momento do nascimento. Existe sempre algo imaginário ou fantasiado sobre sua unidade. Ela permanece sempre incompleta, está sempre em processo, sempre sendo formada” p. 38.

“Em vez de falar da identidade como uma coisa acabada, devemos falar de identificação, e vê-la como um processo em andamento. A identidade surge não tanto da plenitude da identidade que já está dentro de nós como indivíduos, mas de uma falta de inteireza que é preenchida a partir de nosso exterior, pelas formas através das quais nós imaginamos ser vistos, por outros” p. 39.

- O significado é instável, procura por identidades. O falante nunca pode sozinho fixar o significado.

“O significado das palavras não são fixos... as palavras são multimoduladas. Elas sempre carregam ecos de outros significados que elas colocam em movimento, apesar de nossos melhores esforços para cerrar o significado... o significado é inerentemente instável: ele procura o fechamento (a identidade), mas ele é constantemente perturbado (pela diferença). Ele está constantemente escapulindo de nós” p. 40.

 - Existe uma política da identidade, surge nos anos 60. “O sujeito do iluminismo visto como tendo uma identidade fixa e estável, foi descentrado, resultando nas identidades abertas, contraditórias, inacabadas, fragmentadas, do sujeito pós-moderno”.

 CAP. 3 – AS CULTURAS NACIONAIS COMO COMUNIDADES IMAGINADAS (p. 47)

 “No mundo moderno, as culturas nacionais em que nascemos se constituem em uma das principais fontes de identidade cultural... [ingleses, franceses...] Essas identidades não estão literalmente impressas em nossos genes. Entretanto, nós efetivamente pensamos nelas como se fossem parte de nossa natureza essencial” p. 47.

“As identidades nacionais não são coisas com as quais nós nascemos, mas são formadas e transformadas no interior da representação” p. 48.

“Nós só sabemos o que significa ser inglês devido ao modo como a inglesidade veio a ser representada – como um conjunto de significados – pela cultura nacional inglesa. Uma nação é uma comunidade simbólica e é isso que explica seu poder para gerar um sentimento de identidade e lealdade” p. 49.

LER. “As culturas nacionais são compostas não apenas de instituições culturais, mas também de símbolos e representações. Uma cultura nacional é um discurso, um modo de construir sentidos que influencia e organiza tanto nossas ações quanto a concepção que temos de nós mesmos” p. 50.

“As culturas nacionais, ao produzir sentidos sobre a nação, sentidos com os quais podemos nos identificar, constroem identidades. Esses sentidos estão contidos nas estórias que são contadas sobre a ação, memórias que conectam seu presente com seu passado e imagens que dela são construídas” p. 51.

“COMO É CONTADA A NARRATIVA DA CULTURA NACIONAL?” p. 51.

Resp.: História, literatura, mídia e cultura popular.

- A história representa a experiência partilhada que dá sentido a nação.

“Como membros de tal comunidade imaginada, nos vemos, no olho de nossa mente, como compartilhando dessa narrativa. Ela dá significado e importância à nossa monótona existência, conectando nossas vidas cotidianas com um destino nacional que preenche a nos e continua existindo após nossa morte” p. 52.

“Há a ênfase nas origens, na continuidade, na tradição e na intemporalidade. A identidade nacional é representada como primordial... Os elementos essências do caráter nacional permanecem imutáveis, apesar de todas as vicissitudes da história” p. 53.

HOBSBAWM: “ Tradição inventada significa um conjunto de práticas... de natureza ritual ou simbólica, que buscam inculcar certos valores e normas de comportamentos através de repetição, a qual, automaticamente, implica continuidade com um passado histórico adequado” p. 54.

- O MITO FUNDACIONAL é uma forma de narrativa da cultura nacional.

- A identidade nacional é também muitas vezes simbolicamente baseada na idéia de um povo puro, original. Discurso da cultura nacional. “Esse mesmo retorno ao passado oculta uma luta para mobilizar as pessoas para que purifiquem suas fileiras, para que expulsem os outros que ameaçam sua identidade” p. 56.

- A cultura nacional é fonte de significados culturais, um foco de identificação e um sistema de representação.

“Devemos ter em mente esses três conceitos, ressonantes daquilo que constitui uma cultura nacional como uma COMUNIDADE IMAGINADA: as memórias do passado; o desejo por viver em conjunto, a perpetuação da herança” p. 58.

- Nação pode significar também uma comunidade local, um domicílio, uma condição de pertencimento.

“Não importa quão diferente seus membros possam ser em termo de classe, gênero ou raça, uma cultura nacional busca unificá-los numa identidade cultural, para representá-los todos como pertencendo à mesma e grande família nacional” p. 59.

- As culturas se unificaram por meio de um longo processo de conquista violenta. Suprimiu-se a diferença. A violência da origem da identidade é apagada.

- A nação não pode ser homogênea pois é composta por diferentes classes sociais, grupos étnicos e de gênero.

“Em vez de pensar as culturas nacionais como unificadas, deveríamos pensá-las como constituindo um dispositivo discursivo que representa a diferença como unidade ou identidade. Elas são atravessadas por profundas divisões e diferenças internas, sendo unificas apenas através do exercício de diferentes formas de poder cultural” 62.

“As identidades nacionais continuam a ser representadas como unificadas. Uma forma de unificá-la tem sido a de representá-la como a expressão da cultura subjacente de um único povo” p. 60.

- A etnia é o termo que utilizamos para nos referimos às características culturas que são compartilhadas por um povo. “A Europa Ocidental não tem qualquer nação que seja composta de apenas um único povo, uma única cultura ou etnia” p. 62.

 - Mais difícil ainda é associá-la a raça, pois esse termo “não é uma categoria biológica ou genética válida cientificamente” p. 62.

“A RAÇA é uma categoria discursiva e não uma categoria biológica” p. 63.

“Esse breve exame solapa a idéia da nação como uma identidade cultural unificada”

 CAP. 4 – GLOBALIZAÇÃO (p. 67) 

- A globalização pode ocasionar o efeito inverso, ou seja, algumas comunidades regionais estão reforçando suas identidades para resistirem ao processo de globalização.

“Todas as identidades estão localizadas no espaço e nos tempos simbólicos” p. 71.

- Os mitos de origem projetam o presente de volta ao passado, em narrativas de nação que conectam o indivíduo a eventos históricos nacionais mais amplos, mais importantes, p. 72.

GIDDENS: a modernidade separa o espaço e lugar. Os espaços são simbólicos, os lugares são reais. Por serem fixos, é nele que se desenvolve a identidade.

- NORDESTINOS: dispersos de sua terra natal, mantém o vínculo com o lugar de origem, no entanto, mas sem a ilusão do retorno ao passado.


 CAP. 5 – O GLOBAL, O LOCAL E O REOTORNO DA ETNIA (p. 77). 

CAP. 6 – FUNDAMENTALISMO DIÁSPORA E HIBRIDISMO (p. 91). 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (p. 99).

3 comentários:

disse...

Era tudo que estava procurando...
Valeu...esse resumo tá 10

jony disse...

mas não fala nada dos capitulo 5 em diante

jony disse...

não fala nada a partir do cap 5