sábado, 23 de outubro de 2010

RESUMO DE LIVRO: LE GOFF, Jacques. História e Memória. Tradução Bernardo Leitão, et all. 2° Ed. Campinas: UNICAMP, 1992.


- Seis problemas que o conceito de História pode trazer: a) Relação da História Objetiva com a história vivida; b) Relação da História com o tempo natural, cronológico[1] e cíclico; c) A dialética da história parece resumir-se numa oposição passado/presente[2]; d) Relação da História com o futuro; e) Relação com outras ciências (estruturalismo).
- A história de início era um relato emitido por uma testemunha do fato. Hoje, o simples relato é mudado para uma explicação do evento.
“...a história deixa de ser científica quando se trata do início e do fim da história do mundo e da humanidade. Quanto à origem, ela tende ao mito: a idade de outro, as épocas míticas, ou, sob aparência científica, a recente teoria do bib bang. Quanto ao final, ela cede o lugar à religião... ou às utopias do progresso, sendo a principal o marxismo, que justapõe uma ideologia do sentido e do fim da história (o comunismo, a sociedade sem classes, o internacionalismo” p. 8.
“... se faz hoje a crítica da noção de documento, que não é um material bruto, objetivo e inocente, mas que exprime o poder da sociedade do passado sobre a memória e o futuro: o documento é monumento” p. 10.
“A tomada de consciência da construção do fato histórico, da não-inocência do documento lançou uma luz reveladora sobre os processos de manipulação que se manifestam em todos os níveis da constituição do saber histórico” p. 11.
- A história é uma prática social, uma questão política. “... é legítimo observar que a leitura da história do mundo se articula sobre uma vontade de transformá-lo”. P. 11.
- O fato é uma criação do historiador que reconhece uma realidade como importante para entrar no discurso.
“... a necessidade de o historiador misturar relato e explicação fez da história um gênero literário, uma arte...” p. 12.
- O instrumento principal da cronologia é o calendário. O calendário está ligado às origens míticas e religiosas da humanidade e ao progresso tecnológico.
“O calendário revela o esforço realizado pelas sociedades humanas para domesticar o tempo natural...” p. 12-13.
“Ele (o calendário) manifesta o esforço das sociedades humanas para transformar o tempo cíclico da natureza e dos mitos, do eterno retorno, num tempo cíclico da natureza e dos mitos, do eterno retorno, num tempo linear escandido por grupos de anos: lustros, olimpíadas, séculos, eras, etc” p. 13.
- A definição de pontos de partida cronológicos e a busca de periodização estão ligadas à História.
- A oposição passado/presente é essencial na aquisição da consciência do tempo. “... a oposição presente/passado não é um dado natural, mas sim uma construção... um mesmo passado muda segundo as épocas e que o historiador está submetido ao tempo em que vive” p. 13.
“Até o Renascimento e mesmo até o final do século XVIII, as sociedades ocidentais valorizaram o passado, o tempo das origens e dos ancestrais surgindo para eles como uma época de inocência e felicidade. Imaginaram-se eras míticas: idades de ouro, o paraíso terrestre... a história do mundo e da humanidade aparecia como uma longa decadência” p. 14.
- CRÍTICAS A IDÉIA DE PROGRESSO: o fracasso do marxismo e a revelação do mundo stalinista; os horrores do fascismo e do nazismo; a Segunda Grande Guerra; a construção da bomba atômica; o florescimento de diversas culturas ocidentais.
“A crença num progresso linear, contínuo, irreversível, que se desenvolve segundo um modelo em todas as sociedades, já quase não existe” p. 14.
- Escola dos Annales: uma nova concepção de tempo histórico. “A história seria feita segundo ritmos diferentes e a tarefa do historiador seria, primordialmente, reconhecer tais ritmos” p. 15.
- Ao fazer a história dos impérios, os historiadores da antiguidade pensavam fazer a história da humanidade. Os iluministas pensavam estar escrevendo a história do homem. Os historiadores modernos dizem que a história é a ciência da evolução das sociedades humanas.

CAP. 1 – HISTÓRIA (p. 17).
“Estamos quase todos convencidos de que a história não é uma ciência como as outras, sem contar com aqueles que não a consideram uma ciência” p. 17.
- OBJETIVO DO CAPÍTULO: refletir sobre a história na temporalidade e não reduzi-la à visão européia/ocidental.
- A palavra história vem do grego antigo historie[3]. Esta forma deriva da raiz que indica VER e PROCURAR.. Daí se dizer que o grego histor significa testemunha (aquele que vê).
- Paul Veyne: tudo vira história, pois tudo tem historicidade. “Tudo é história, logo a história não existe”.
- O fato histórico resulta de uma montagem e que estabelecê-lo exige um trabalho técnico e teórico.
“A história é o reino do inexato... A história quer ser objetiva e não pode sê-lo. Quer fazer reviver e só pode reconstruir. Ela quer tornar as coisas contemporâneas, mas ao mesmo tempo tem de reconstituir a distância e a profundidade lonjura histórica” p. 21.
“O saber da história é tanto mais confuso quanto mais o seu poder aumenta” p. 22.
- Marc Bloch se negava em defender que o passado seja objeto da História. A história é para ele a ciência dos homens no tempo. A concepção de Bloch coloca o aspecto social no centro da história.
- Não devemos transportar ingenuamente o presente para o passado; muito menos procurar um trajeto linear que seria tão ilusório como o sentido contrário. “Há rupturas e descontinuidades inultrapassáveis, quer num sentido, quer noutro” p. 24.
- A idéia da história dominada pelo presente baseia-se na frase de Benedetto Croce: “Toda história é história contemporânea”. A história seria um conhecimento do eterno presente.
“O passado é uma construção e uma reinterpretarão constante e tem um futuro que é parte integrante e significativa da história” p. 24.
“Penso que a história é bem a ciência do passado, com a condição de saber que este passado se torna objeto da história, por uma reconstrução incessantemente...” p. 25.
- Lucien Febvre: “A história recolhe sistematicamente, classificando e agrupando os fatos passados, em função das suas necessidades atuais. É em função da vida que ela interroga a morte. Organizar o passado em função do presente: assim se poderia definir a função social da história (1949, p. 438)” p. 26.
“... cada época fabrica mentalmente a sua representação do passado histórico” p. 26.
- A historiografia é plena de perdas e ressurreições, falhas e memórias e revisões.
- História-desejo é uma história ficção. Há a história coletiva e a história dos historiadores.
Os historiadores oficiais vivem uma idade da inocência. Passeiam pelo jardim da verdade. Nus, sem nenhuma opinião, sem vergonha da imparcialidade, estavam passivos perante um deus da história. Nossa era é a do pedado, somos historiadores marcados pela rebeldia. Fomos expulsos do éden. Vivemos no tempo da queda, sentimos vergonha da imparcialidade.
- Paul Valéry: “A história é o produto mais perigoso que a química do intelecto elaborou... A história justifica o que se quiser” p. 32. “A história é um conto de acontecimentos verdadeiros” p. 39.
“A contradição mais flagrante da história e sem dúvida o ato do seu objeto ser singular, um acontecimento, uma série de acontecimentos, de personagens que só existem uma vez, enquanto que o seu objetivo, como o de todas as ciências, é atingir o universal, o geral, o regular” p. 33.
- Aristóteles afastou a história do mundo das ciências por se ocupar do particular.
- O fato histórico é singular[4]. Ele só acontece uma vez. Nunca o verá duas vezes. Tal concepção tem três conseqüências: 1) Primazia do acontecimento. 2) Privilegiar o papel dos indivíduos – dos Grandes Homens. Essa historiografia vem dos gregos, das antigas epopéias. 3) Reduz a história à narração. A função da história não seria provar e sim contar.
- Geoges Duby: “A história é acima de tudo uma arte, uma arte essencialmente literária. A história só existe pelo discurso (1880, p. 50)” p. 38.
“... o discurso histórico tem a sua especificidade” p. 38.
- Quem é a história para sancionar a narração de certos acontecimentos passados como ciência?
- Roland Barthes: na história dita objetiva o real aparece abrigado à sombra da aparente onipotência do referente. “... o discurso histórico não segue o real, apenas o significa”. “... a narração histórica morre porque o signo da história é, daqui em diante, menos o real que o inteligível”.
- Mania do historiador: tentar encontrar nos acontecimentos individualizados uma espécie de generalidade.
“Os teóricos da história esforçaram-se, ao longo dos séculos, por introduzir grandes princípios suscetíveis de fornecer chaves gerais da evolução histórica... A noção de um sentido da história pode decompor-se em três tipos de explicação: a crença em grandes movimentos cíclicos (astecas), a idéia de um fim da história consistindo na perfeição deste mundo (cristianismo), a teoria de um fim da história situado fora dela (marxismo)” p. 41.
“A minha opinião é que não há em história leis comparáveis às que foram descobertas no domínio das ciências da natureza... minha convicção é que o trabalho histórico tem por fim tornar inteligível o processo histórico e que esta inteligibilidade conduz ao reconhecimento da regularidade na evolução histórica... Estas regularidades devem ser reconhecidas primeiro no interior de cada série estudada pelo historiador, que a torna inteligível descobrindo nela uma lógica, um sistema...” p. 44.
“O acaso tem naturalmente um lugar no processo da história e não perturba as regularidades, pois que o acaso é um elemento constitutivo do processo histórico e da sua inteligibilidade” p. 45.
- Marx: “A história universal teria um caráter muito místico se excluísse o acaso”.
“Datar é e será sempre uma das tarefas fundamentais do historiador, mas deve fazer-se acompanhar de outra manipulação necessária da duração – a periodização – para que a datação se torne historicamente pensável... A periodização é o principal instrumento de inteligibilidade das mudanças significativas” p. 47.
- O que interessa para Le Goff é o lugar que o passado ocupa nas sociedades. Há riscos em “...considerar uma realidade complexa e estrutura em classes ou, pelo menos, em categorias sociais distintas e cultura ou supor um espírito do tempo” p. 48.
“Considerei os historiadores como os principais intérpretes da opinião coletiva, procurando distinguir as suas idéias pessoas da mentalidade coletiva” p. 48.
“... a memória não é a história, mas um dos seus objetos e simultaneamente um nóvel elementar de elaboração histórica” p. 49.
“Toda a história é bem contemporânea, na medida em que o passado é apreendido no presente e responde, portanto, aos seus interesses, o que não é só inevitável, como legítimo. Pois que a história é duração, o passado é ao mesmo tempo passado e presente” p. 51.
“A cultura (ou mentalidade) histórica não depende apenas das relações memória-história, presente-passado. A história é a ciência do tempo. Está estritamente ligada às diferentes concepções de tempo que existem numa sociedade e são um elemento essencial da aparelhagem mental dos seus historiadores” p. 52.
“É claro que a passagem do oral ao escrito é muito importante, quer para a memória, quer para a história. Mas não devemos esquecer que: 1) oralidade e escrita coexistem em geral nas sociedades e esta coexistência é muito importante para a história; 2) a história, se tem como etapa decisiva a estrita, não é anulada por ela, pois não há sociedades sem história” p. 53.
- Oposição MITO e HISTÓRIA: “Podemos estudar nas sociedades históricas o aparecimento de novas curiosidades históricas cujo início recorre muitas vezes ao mito...” p. 56.
“A maior parte destas sociedades (primitivas) explicou a sua origem através de mitos e geralmente considerou-se que uma fase decisiva da evolução destas sociedades consistia em passar do mito à história” p. 56.
“... nas perspectivas da nova problemática histórica, o mito não só é objeto da história, mas prolonga em direção às origens, o tempo da história, enriquece os métodos do historiador e alimenta um novo nível da história, a história lenta” p. 56.
- Fernand Braudel: multiplicidade dos tempos.
- Georges Lefebvre: “A história, como quase todo o nosso pensamento, foi criada pelos gregos”.
“... é às estruturas e à imagem do Estado que muitas vezes se ligará a idéia de história, à qual se oporá a idéia de uma sociedade sem Estado e sem história” p. 58.
- O islã deu origem a uma história ligada à religião. A história do árabe tem como berço a cidade de Medina. Tanto para os judeus como para os islâmicos “... a história desempenhou o papel de fator essencial da identidade coletiva...” p. 61.
“O saber ocidental considera pois que a história nasceu com os gregos. Está ligada a duas motivações principais. Uma, de ordem étnica, que consiste em distinguir os Gregos dos Bárbaros. À concepção de história está ligada a idéia de civilização” p. 62.
- OLHAR ETNOLÓGICO: olha a outra cultura a partir da que vive.
- Políbio, historiador romano, vê o império como a dilatação do espírito da cidade. Roma encarna a civilização.
“A lição da história, para os Antigos, resume-se a uma negação da história. O que lega de positivo são os exemplos dos antepassados, heróis e grandes homens. Devemos combater a decadência, reproduzindo a título individual os grandes feitos dos mestres, repetindo os eternos modelos do passado – a fonte, fonte de exempla, não está longe da retórica das técnicas de persuasão, que freqüentemente recorrem aos discursos” p. 64.
“... o Cristianismo foi visto como uma ruptura, uma revolução na mentalidade histórica. Dando à história três pontos fixos: a Criação, início absoluto da história... o Cristianismo teria substituído as concepções antigas de um tempo circular pela noção de um tempo linear e teria orientado a história, dando-lhe um sentido” p. 64.
- Marc Bloc: “O cristianismo é uma religião de historiadores”.
Na genealogia dos acreanos, existe uma matriz heróica”.

“O renascimento é a grande época da mentalidade histórica. É assinalado pela idéia de uma história nova, global, a história perfeita, e por progressos importantes de métodos e de crítica histórica” p. 68.
- A história só aos vencedores parece racional; os vencidos vivem-na como alienação.
“A história do Renascimento está estritamente dependente dos interesses sociais e políticos dominantes, neste caso, do Estado” p. 71.
- A revolução Francesa no seu tempo não estimulou a reflexão histórica. Queriam destruir um passado detestado.
- A religião da pátria – o nacionalismo – é uma novidade que data a Revolução Francesa. É aí que a nação transforma-se em pátria. A idéia de nação é cultivada justamente naqueles povos em que a união é muito fraca (Alemanha e Itália). A função da história é fazer os cidadãos amarem sua pátria.
- FILOSOFIA DA HISTÓRIA: ler 76-78.
- Crítica a filosofia histórica de Gramsci: ler 100-102.
“Michel Foucault ocupa um lugar excepcional na história por três razões: primeiro, porque é um dos maiores historiadores novos... em seguida, porque fez o diagnóstico mais perspicaz sobre esta renovação de história (segregação dos desviados)” p. 103.
“Faz sua análise em quatro pontos: 1) O questionar do documento – a história tradicional dedicava-se a memorizar os monumentos do passado, a transformá-los em documentos e a fazer falar os vestígios, que em si não são verbais ou, em silêncio, dizem algo de diferente que o que de fato dizem; nos nossos dias, a história é o que transforma os documentos em monumentos... 2) A noção de descontinuidade... 3) ... uma história global começam a perdem consistência... Finalmente, Foucault propõe uma filosofia original da história, estritamente legada à prática e à metodologia da disciplina histórica...” p. 104.
“... não os séculos, os povos e as civilizações, mas as práticas; as intrigas que ela conta são a história das práticas em que os homens firam verdades e reconheceram as suas lutas em torno dessas verdades” p. 105.
“A melhor prova de que a história é e deve ser uma ciência é o fato de precisar de técnicas, de métodos e de ser ensinada” p. 105.
- A HISTÓRIA COMO CIÊNCIA: o ofício do historiador. Ler página 105 em diante.
- A documentação histórica tem um caráter multiforme..
- Devemos fazer um inventário dos silêncios dos documentos.
- O documento falso também é histórico. O historiador dever lutar contra a deificação da história. “O historiador deve reagir mostrando que nada está escrito na histórica antecipadamente e que o homem pode modificar as condições que lhe são postas” p. 145.
“O saber histórico está ele próprio na história” p. 145.

CAP. 2 – ANTIGO/ MODERNO (p. 167)
- Antigo e moderno são conceitos forjados no ocidente. Antigo = tradicional. Moderno = recente.
- Modernidade um conceito negativo da cultura industrial.
“... a modernidade pode camuflar-se ou exprimir-se sob as cores do passado, entre outras, as da antiguidade. É uma característica das renascenças e, em especial, do grande Renascimento do século XVI” p. 168.
“Nas sociedades ditas tradicionais, a Antiguidade tem um valor seguro; os antigos dominam, como velhos depositários da memória coletiva...” p. 168.
“... a consciência da modernidade nasce do sentimento de ruptura com o passado” p. 169.
“... a periodização da história em antiga, medieval e moderna instaura-se no século XVI” p. 169.
- O moderno surge para afastar o que se considera o atraso.
“O fato de antigo designar um período, uma civilização que não só tem o prestígio do passado, mas também a auréola do Renascimento, de que foi o ídolo e o instrumento, vai conferir um caráter de luta quase sacrílega ao conflito entre antigo e moderno. O combate entre antigo e moderno será menos o combate entre o passado e o presente, a tradição e a novidade do que o contraste entre duas formas de progresso: o do eterno retorno, circular, que põe a antiguidade nos píncaros e o progresso por evolução retilínea, linear, que privilegia o que se desvia da antiguidade. Foi no antigo que o Renascimento e o Humanismo se apoiaram para fazer a modernidade do século XVI, que se erguerá contra as ambições do moderno” p. 172.
“... o termo moderno assinala a tomada de consciência de uma ruptura com o passado...” p. 172.
“Novo implica um nascimento, um começo que assume o caráter quase sagrado de batismo” p. 173.
“O renascimento perturba esta emergência periódica do moderno como oposto a antigo. Só assim a antiguidade adquire de fato e definitivamente o sentido de cultura greco-romana pagã, positivamente conotada. O moderno só tem direito de preferência quando imita o antigo” p. 176.
- Rabelais: “O moderno é exaltado através do antigo”.
- Bernardo de Chartres: “... anões levados aos ombros por gigantes” p. 176.
“Foi preciso chegar às vésperas da Revolução Francesa para que o século das Luzes adotasse a idéia de progresso, sem restrições” p. 178.
“O modernismo amplia, por outro lado, o campo de ação do moderno”. P. 182.
“O primeiro embate total entre antigo e moderno foi, talvez, o dos índios da América com os Europeus, e as suas conseqüências foram claras: os índios foram vencidos, conquistados, destruídos e assimilados...” p. 184.
- Modernização equilibrada: a penetração do moderno não destruiu os valores antigos.
- “O termo modernidade foi lançado por Baudelaire ... em 1860” p. 188.
- Barthes “o cantador da modernidade” p. 189.
- Henri Lefebvre: distingue modernidade de modernismo.
“A modernidade é o resultado ideológico do modernismo” p. 190. É uma ambição prometéica.
- O renascimento cria o conceito de idade média. “... apenas como forma de preencher o fosso entre os dois períodos positivos, plenos, significativos, da história: a história antiga e a história moderna”. P. 191.
- O moderno não se opõe ao antigo, mas ao primitivo.
“... o século XX projetou a modernidade no passado, em época ou sociedades que não tinham consciência de modernidade ou tinham definido a sua modernidade de outro modo” p. 195.
“A mutações de mentalidade raramente são bruscas e situam-se, em primeiro lugar, no plano das próprias mentalidades. O que muda é a estrutura mental. A tomada de consciência da modernidade exprime-se, muitas vezes, pela afirmação da razão contra a autoridade ou tradição” p. 196.
“O moderno tende, acima de tudo, a se negar e destruir” p. 197.
- O moderno tende a negar o primitivo, mas se volta para o passado, de onde tira suas forças.

CAP. 3 – PASSADO/ PRESENTE (p. 203)
“A distinção entre passado e presente é um elemento essencial da concepção do tempo... esta definição do presente, que é, de fato, um programa, um projeto ideológico, defronta-se muitas vezes com o peso de um passado muito mais complexo” p. 203.
“Os hábitos de periodização histórica levam, assim, a privilegiar as revoluções, as guerras, as mudanças e regime político, isto é, a história dos acontecimentos” p. 204.
- A distinção passado/ presente não é natural.
- PASSADO IMEMORIAL é o mítico, é o tempo de nossos antepassados, ancestrais.
- Strauss: “È próprio do pensamento selvagem ser atemporal”
- A criação do passado tem uma função social. “A maior parte das sociedades considera o passado como modelo do presente. Nesta devoção pelo passado há, no entanto, fendas através das quais se insinuam a inovação e a mudança... A inovação aparece em uma sociedade sob a forma de um regresso ao passado: é a idéia-força das renascenças” p. 213.
“Muitos movimentos revolucionários tiveram como palavra de ordem e objetivo o regresso ao passado[5]... o passado só é rejeitado quando a inovação é considerada inevitável e socialmente desejável” p. 213.
“Os indivíduos que compõem uma sociedade sentem quase sempre a necessidade de ter antepassados; é esta uma das funções dos grandes homens... a história é uma mudança orientada. Coexistem cronologias históricas e não-históricas...” p. 213.
- Antiguidade pagã: valorização do passado paralelo à idéia de presente decadente.
- Idade Medieval: o presente está encerrado sob o peso do passado e a esperança de um futuro escatológico.
“O sentimento do tempo, na cultura grega, volta-se para o mito da Idade de Ouro e para as recordações da época heróica” p. 215.
“... os artistas da idade Média revelam atração pelo passado, o tempo mítico do Paraíso, a procura do momento privilegiado, que arrasta para o futuro a salvação ou a danação... Movidos por um desejo de eternidade recorreram com freqüência ao símbolo” p. 217.
“... a idéia de progresso torna-se o fio condutor do historiador que se orienta para futuro” p. 218.
“O gosto romântico pelo passado, que alimenta os movimentos nacionalistas europeus do século XIX e foi incrementado pelos nacionalismos, incidiu também sobre a antiguidade jurídica e filosófica e a cultura popular” p. 219.
- A primeira guerra que demonstrou a crise do progresso fez repensar a função social do passado.
- Marx: “O drama dos franceses, tal como o dos operários, são as grandes memórias. É necessário que os acontecimentos ponham fim, de uma vez protodas, a este culto reacionário do passado” (1870)
- O culto ao passado “...foi um dos elementos essenciais das ideologias de direita e uma das componentes das ideologias fascistas e nazistas. Ainda hoje, o culto pelo passado se alia ao conservantismo social ” p. 220.
- Bourdieu: “Uma classe está em declínio e, portanto, voltada para o passado...”.
“A aceleração da história, por outro lado, levou as massas dos países industrializados a ligarem-se nostalgicamente às suas raízes; daí o gosto pela história e pela arqueologia, o interesse pelo folclore, o entusiasmo pela fotografia, criadora de memória e recordações, o prestígio da noção de patrimônio” p. 220.
“... a psicanálise freudiliana inscreve-se num vasto movimento anti-histórico que tende a negar a importância da relação passado/presente e que tem, paradoxalmente, as suas raízes no positivismo” p. 221.

CAP. 4 – PROGRESSO/ REAÇÃO (p. 233)
- A idéia de progresso é um conceito eminentemente ocidental.
- Na Antiguidade greco-romana, a idéia de uma decadência posterior à Idade do Ouro inicial e do retorno cíclico impedia o desenvolvimento de uma verdadeira idéia de progresso... A mudança significava corrupção e desordem... Os homens têm o seu futuro bloqueado pela lembrança dos deuses e heróis.
- O progresso se existisse, consistiria em atingir os arquétipos. A crise do progresso faz retornar à nostalgia da Idade Ouro.
“A idéia explícita de progresso desenvolve-se entre o nascimento da imprensa no século XV e a Revolução Francesa” p. 244.
“O humanismo está animado de um sentimento de progresso em relação à Idade Média, termo que inventou na segunda metade do século XV e assenta na idéia de um eclipse dos valores da antiguidade no presente. O progresso nada mais é que um retorno aos Antigos, um Renascimento” p. 245.
- O humanismo do Renascimento é ambivalente, pois é progressista em ralação a um passado próximo, no entanto, aprova um passado longínquo que é necessário exumar. A própria noção de Renascença, enquanto mito é no fundo indissociável de uma concepção cíclica – de origem astrológica – da história.
“A concepção dominante da história continua a ser a de uma história cíclica, passando por fases de progresso, de apogeu e de decadência” p. 246.
- A revolução Francesa, paradoxalmente, aparece como o triunfo político e ideológico da idéia de progresso e marca uma data capital na história desta noção. Enquanto a noção de progresso implica uma continuidade, a Revolução Francesa se apresenta antes de mais nada como ruptura, começa absoluta” p. 253.
“O período de 1840 a 1890 é o triunfo da ideologia do progresso, simultaneamente com o grande ‘boom’ econômico e industrial do Ocidente” p. 258.
- A idéia de progresso faz parte de uma ideologia burguesa. A crise de 1929 foi o maior golpe à ideologia do progresso. Fez cair `a lona o maio representante do capitalismo.
“A primeira Guerra Mundial abalou a crença no progresso sem a fazer desaparecer, pois o mito da ‘última vez’ restaurou um certo otimismo”.
- LER: A crise do progresso, do então marxista Georges Friedimann. Os mais civilizados agora ameaçam acabar com o mundo.
“Entre 1945 e 1975 é o progresso econômico que se torna a linha de força da ideologia do progresso...” p. 271.
- Depois da 2° Guerra, o terceiro mundo despertou para o progresso. “Esse fenômeno conduziu à desocidentalização da idéia de progresso...” p. 271.

CAP. 5 - IDADES MÍTICAS (p. 283)
“Para dominar o tempo e a história e satisfazer as próprias aspirações de felicidade e justiça ou os temores face ao desenrolar ilusório ou inquietante dos acontecimentos, as sociedades humanas imaginaram a existência, no passado e no futuro, de épocas excepcionalmente felizes ou catastróficas e, por vezes, inseriram essas épocas originais ou derradeiras numa série4 de idades, segundo uma certa ordem” p. 283.
“A maior parte das religiões concebe uma idade mítica feliz, senão perfeita, no início do universo... A evolução do mundo e da humanidade, ao longo desses períodos, é geralmente uma degradação das condições naturais e morais da vida” p. 283.
- A idade primitiva é imaginada como uma idade de ouro.
“A idade mítica final é, muitas vezes, a repetição da inicial. Como nas religiões do eterno retorno que fazem passar o mundo e a humanidade por séries de ciclos, eternamente repetidos...” p. 283-284.
“No fim de cada ciclo há a ameaça do retorno ao caos. Em suma, a criação dá-se, uma vez mais, cada manhã quando a luz brota, no início de cada estação, de cada ano, de cada novo reinado de um faraó”p. 288.
“No hinduísmo, a teoria das idades míticas é mais complexa e insere-se na crença do eterno retorno” p. 289.
“Assinale-se, a propósito, que a mais mítica de todas as idades, onde por vezes se situa a Idade do Ouro, é, em certas religiões, anterior à criação, quando o tempo ainda não existia” p. 290.
- A especulação a respeito da origem era uma constante no mundo greco-romano. Hesíodo[6] nos dá a primeira expressão coerente da idade mítica. Nasce a Idade dos Heróis.
“... a partir das concepções de uma Idade do Ouro seguida de uma ou várias idades de decadência, a Idade do Ouro aparece em filósofos e escritores da antiguidade num outro contexto – o de ciclos de idades que implicam o retorno da Idade do Ouro” p. 297.
- A teoria dos ciclos tem como pai o grego Heráclito. A teoria do tempo circular também foi abordada por Aristóteles e Platão.
- Para o cristianismo, a idade de ouro é visto no paraíso. No Renascimento, houve um florescimento da teoria da idade de ouro, no entanto, foi passageiro até chegar o iluminismo, que a destronou.
“Na Idade Média, o discurso sobre a Idade do Ouro afasta-se do mito e da teologia, para se refugiar na literatura” p. 312.
“... o Paraíso ou a Idade do Ouro, diga-se a Idade de Ouro paradisíaca, tem caráter essencialmente rural...” p. 315.
“Para os humanistas, o retorno da Idade de Ouro não é o regresso a um estado de natureza, mas pelo contrário, depois da barbárie da idade média, um renascimento do mundo, que é, sobretudo, o das letras e das artes” p. 316.
“O que está em causa, em primeiro lugar, nas idades Míticas, é a idéia de progresso. Tudo era, realmente, melhor no início?” p. 319.
- As teorias das Idades Míticas introduziram, no tempo e na história, a idéia de período e ainda, a idéia de uma coerência na sucessão dos períodos, a noção da periodização.

CAP. 6 – ESCATOLOGIA (p. 325)
CAP. 7 – DECADÊNCIA (p. 375)
“Na Antiguidade, em que o sentimento e a idéia de progresso são praticamente inexistentes, o conceito de decadência não tem um contraponto verdadeiro” p. 376.
- Na Idade Média, a idéia de decadência assume com clareza uma tônica religiosa.
- Oswald Spengler é o maior teórico da decadência (livro: O declínio do Ocidente).
“É impressionante que a maioria das teorias acerca da decadência tenham sido da autoria de pensadores, de grupos ou de sociedades que corrigem o seu pessimismo com uma crença ainda mais forte da vinda obrigatória de uma renovação” p. 411-412. O Grande teórico é Mircea Eliade.
- O eterno retorno, os rituais de renovação do tempo como as festas de ano novo.
“A decadência é uma fase necessária para a renovação” p. 412.
“Mas a noção de decadência talvez esteja ao serviço de certos tipos de história, hoje profundamente desacreditados: a história política, a história linear ou cíclica, a história catastrófica...” p. 414.

CAP. 8 – MEMÓRIA (p. 423)
“A memória, como propriedade de conservar certas informações, remete-nos em primeiro lugar a um conjunto de funções psíquicas, graças às quais o homem pode atualizar impressões ou informações passadas, ou que ele representa como passadas” p. 423.
“Tornarem-se senhores da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos, dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas. Os esquecimentos e os silêncios da história são reveladores desses mecanismos de manipulação da memória coletiva” p. 426.
- Sociedade de memória essencialmente oral é diferente da essencialmente escrita.
“Preferir-se-á reservar a designação de memória coletiva para os povos sem escrita...” p. 427.
“O aparecimento da escrita está ligado a uma profunda transformação da memória coletiva... A escrita permite à memória coletiva um duplo progresso, o desenvolvimento de duas formas de memória. A primeira é comemoração, a celebração através de um monumento comemorativo de um acontecimento memorável... No Oriente antigo, por exemplo, as inscrições comemorativas deram lugar à multiplicação de monumentos como as estelas e obeliscos” p. 431.
“A outra forma de memória ligada à escrita é o documento escrito num suporte especialmente destinado à escrita...” p. 432.
“Mas importa salientar que todo documento tem em si um caráter de monumento e não existe memória coletiva bruta” p. 432-433.
“A passagem da memória oral à memória escrita é certamente difícil de compreender” p. 437.
- Para os gregos da época arcaica, a memória era uma deusa, mãe de nove musas. Sua função era lembrar aos homens os grandes heróis e seus feitos. Ela preside na poesia lírica.
“A imprensa revoluciona, embora lentamente, a memória ocidental” p. 257.
“Enquanto que os vivos podem dispor de uma memória técnica, científica e intelectual cada vez mais rica, a memória parece afastar-se dos mortos... a comemoração dos mortos entra em declínio” p. 461.
“... a laicização das festas e do calendário facilita em muitos países a multiplicação das comemorações...” p. 463.
“Se os revolucionários querem festas comemorando a revolução, a maré da comemoração é, sobretudo, um apanágio dos conservadores e ainda mais dos nacionalistas, para quem a memória é um objetivo e um instrumento de governo” p. 463.
“A comemoração do passado atinge o auge na Alemanha nazista e na Itália fascista” p. 463.
“A comemoração apropria-se de novos instrumentos de suporte: moedas, medalhas, selos de correio multiplicam-se” p. 464.
“Na França, a Revolução cria os arquivos nacionais (07 de setembro de 1790)” p. 464.
“Entre as manifestações importantes ou significativas da memória coletiva, encontra-se o aparecimento, no século XIX e no início do século XX, de dois fenômenos. O primeiro, em seguida a Primeira Guerra Mundial, é a construção de monumentos aos mortos, A comemoração funerária encontra aí um novo desenvolvimento. Em numerosos países é erigido um túmulo ao soldado desconhecido... associada a anonimato, proclamando sobre um cadáver sem nome a coesão da nação em torno de memória comum” p. 466.
- É o efeito “algum de família” tão bem explanado por Bourdieu.
“A memória é um elemento essencial do que se costuma chamar identidade, individual ou coletiva, cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje, na febre e na angústia” p. 476.
“... a memória coletiva é não somente uma conquista, é também um instrumento e um objeto de poder” p. 476.
“Nas sociedades desenvolvidas, os novos arquivos não escaparam à vigilância dos governantes, mesmo se podem controlar esta memória tão estreitamente como os novos utensílios de produção desta memória, nomeadamente a do rádio e a da televisão” p. 477.
“A memória onde cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e futuro. Devemos trabalhar de forma a que a memória coletiva sirva para a libertação e não para a servidão dos homens” p. 477.

Cap. 9 – CALENDÁRIO (p. 485).
“O tempo do calendário é totalmente social, mas submetido aos ritmos do universo... o calendário é um objeto cultural... enquanto organizador do quadro temporal, diretor da vida pública e cotidiana, o calendário é, sobretudo, um objeto social” p. 485.
“A conquista do tempo através da medida é claramente percebido como um dos importantes aspectos do controle do universo pelo homem” p. 486.
- O calendário é um dos grandes emblemas e instrumentos do poder. A reforma e a revolução francesa são exemplos de mudanças no calendário.
- Para garantir o poder, o calendário estabelece festas que perpetua a recordação de feitos ligados a um grupo social.
- Nos diversos sistemas sócio-econômicos e políticos, o controle do calendário torna mais fácil a manipulação de dois instrumentos essenciais do poder: o imposto, no caso do poder estatal; e os tributos, no caso de poder feudal” p. 494.
- O calendário muçulmano foi sempre lunar e não o solar. Há o calendário baseado nas estações do ano.
“Uma função essencial do calendário é a de ritmar a dialética do trabalho e do tempo livre, o entrecruzamento dos dois tempos: o tempo regular, mas linear do trabalho, mas sensível a mutações históricas, e o tempo cíclico da festa, mais tradicional...” p. 518.
“O calendário, órgão de um tempo que recomeça sempre, conduz paradoxalmente à instituição de uma história cronológica dos acontecimentos... A história dos almanaques e dos calendários é uma história de reis e de grandes personagens, de heróis e, antes de mais nada, de heróis nacionais” p. 524.

CAP. 10 – DOCUMENTO/ MONUMENTO (p. 532)
“A memória coletiva e a sua forma científica, a história, aplicam-se a dois tipos de materiais: os documentos e os monumentos” p. 535.
“De fato, o que sobrevive não é o conjunto daquilo que existiu no passado, mas uma escolha efetuada quer pelas forças que operam no desenvolvimento temporal do mundo e da humanidade, quer pelos que se dedicam à ciência do passado e do tempo que passa, os historiadores” p. 535.
- Memória: fazer recordar.
- Monumento é um sinal do passado. “O monumento é tudo aquilo que pode evocar o passado, perpetuar e recordação, por exemplo, os atos escritos” p. 535.
“O monumento tem como características, o ligar-se ao poder de perpetuação, voluntária ou involuntária, das sociedades históricas” p. 536.
- Originalmente o documento se opunha ao monumento, que era intencional. Devemos criticar a história fundada sob os documentos.
- Embora a concepção de documento resiste a mudanças, seu conteúdo se dilatou muito.
“O interesse da memória coletiva e da história já não se cristaliza exclusivamente sobre os grandes homens, os acontecimentos...” p. 541.
“O documento não é qualquer coisa que fica por conta do passado, é um produto da sociedade que o fabricou segundo as relações de forças que aí detinham o poder. Só a análise do documento enquanto monumento permite à memória coletiva recuperá-lo e ao historiador usá-lo cientificamente, isto é, com pleno conhecimento de causa” p. 545.
- Para Foucault o problema da história está em questionar os documentos. Desestruturar o documento evidenciando o seu caráter de monumento.
“O documento não é inócuo. É, antes de mais nada, o resultado de uma montagem, consciente ou inconsciente, da história da época, da sociedade que o produziram, mas também das épocas sucessivas durante as quais continuou a viver, talvez esquecido, durante as quais continuou a ser manipulado, ainda que pelo silêncio” p. 547.
“O documento é monumento. Resulta do esforço das sociedades históricas para impor ao futuro – voluntária ou involuntariamente – determinada imagem de si próprias” p. 548.
“... não existe um documento-verdade. Todo o documento é mentira... falso, porque um monumento é em primeiro lugar uma roupagem, uma aparência enganadora, uma montagem. É preciso começar por desmontar, demolir esta montagem, desestruturar esta construção e analisar as condições de produção dos documentos-monumentos” p. 548.
“... importa não isolar os documentos do conjunto de monumentos de que fazem parte” p. 548.


[1] O calendário é um instrumento da História utilizado para domesticar o tempo natural.
[2] Essa oposição não é neutra; exprime um sistema de valores. O conceito de decadência expressa uma visão pessimista da história. O iluminismo afirmou uma visão otimista da história a partir da idéia de progresso. Essa idéia de progresso entrou em crise na segunda metade do século XX. Tem a história um sentido? Existe um sentido da história?

[3] Usada por Heródoto.
[4] Não necessariamente é defendido por Le Goff.
[5] Zapata, no México.
“De ouro foi a primeira raça de homens mortais... Zeus, filho de Cronos, modelou ainda outra raça sobre a terra fecunda, mas justa e mais corajosa, a raça divina dos heróis, chamados semideuses” Hesíodo.

2 comentários:

Sharlene disse...

Parabéns pelo trabalho, a apresentação do resumo do livro,motiva o gosto pela leitura e possibilita à aqueles que não tem acesso ao livro, noções precisas.

Anna Lima disse...

Parabéns pelo blog...

Totalmente completo para quem deseja fazer um boa leitura.