quarta-feira, 27 de maio de 2009

Os Soldados da Borracha na Segunda Guerra Mundial

SILVA, MAria. A Borracha passa na História: Os Soldados da Borracha na Segunda Guerra Mundial SILVA, MAria. A Borracha passa na História: Os Soldados da Borracha na Segunda Guerra Mundial Professores Egina Carli e Eduardo Carneiro

segunda-feira, 25 de maio de 2009

BIENAL DA FLORESTA DO LIVRO E DA LEITURA (29 de maio a 07 de junho)

DETALHAMENTO DO PROGRAMA DE ATIVIDADES CULTURAIS PAINÉIS/PALESTRAS 1. Jornalismo Cultural: velhas e novas mídias. Expositores do Painel: Homero Fonseca, Nelson Patriota, André Seffrin e Hildeberto Barbosa. Data/horário: 1/JUNHO das 9:00 as 11:30 horas. Local: Auditório da Biblioteca Pública Estadual. 2. A Moderna Literatura Nordestina. Expositores do Painel: Jomard Muniz de Britto, Hildeberto Barbosa, Homero Fonseca e Jorge Tufic. Data/horário; 1/JUNHO das 15:00 as 18:00 horas. Local; Auditório da Biblioteca Pública Estadual. 3. A Mulher na Literatura Brasileira Expositores do Painel: Vilma Arêas, Laélia M. Rodrigues da Silva e Margarete Edul P. de Souza Lopes. Data/horário: 2/JUNHO das 9:00 as 11:30 horas. Local: Auditório da Biblioteca Pública Estadual. 4. O Escritor e seus Personagens. Expositores do Painel: Luis Ruffato, Fernando Monteiro, Homero Fonseca e Cláudio Aguiar. Data/horário: 2/JUNHO das l5:00 as 18:00 horas. Local: Biblioteca Pública Estadual. 5. O Popular e o Erudito na literatura de Cordel. Palestrante: Marcus Accioly. Data/horário: 3/JUNHO das 9:00 as 11:00 horas. Local: Biblioteca Pública Estadual. 6. Monteiro Lobato e a Literatura infantil no Brasil. Palestrante: Luiz Galdino. Data/horário: 3/JUNHO das 15:00 as 17:00 horas. Local: Biblioteca Pública Estadual. 7. A Moderna Crítica Literária Brasileira. Palestrante: Gilberto Mendonça Teles. Data/horário: 4/JUNHO das 9:00 as 11:00 horas. Local: Biblioteca Pública Estadual. 8. Euclides da Cunha: jornalista, ensaísta, ficcionista e demarcador de fronteiras. Expositores do Painel: Alexei Bueno, Cláudio Aguiar, Gilberto Mendonça Teles e Fábio Lucas. Data/horário: 4/JUNHO das 15:00 as 18:00 horas. Local: Biblioteca Pública Estadual. 9. A Moderna Poesia Brasileira. Expositores do Painel: Gilberto Mendonça Teles, Alexei Bueno e Hildeberto Barbosa. Data/horário: 5/JUNHO das 9:00 as 11:30 horas. Local: Biblioteca Pública Estadual. 10. A Moderna Literatura da Amazônia. Expositores do Painel: Márcio Souza, Laélia Maria Rodrigues da Silva e Jorge Tufic. Data/horário: 5/JUNHO das 15:00 as 18:00 horas. Local; Biblioteca Pública Estadual. 11. A Política do Livro e da Leitura no Brasil. Palestrante: José Castilho Marques Neto. Data/horário: 6/JUNHO das 9:00 as 11:00 horas. Local: Biblioteca Pública Estadual. 12. Literatura e memória. Palestrante: Ignácio de Loyola Brandão. Data/horário; 6/JUNHO das 15:00 as 17:00 horas. Local: Biblioteca Pública Estadual. OFICINAS 1. Editoração de Livros. Instrutor: Antonio Roberto Bertelli. Carga horária: 10 horas. Data: 1 e 2/JUNHO. Horário: 9: 00 as 11: 00, 15:00 as 17:00 e 19:00 as 21:00 horas. Local: Auditório da Prefeitura Municipal de Rio Branco. 2. Contadores de História 1. Instrutor: Celso Sisto. Carga horária: 8 horas. Data: 1 e 2/JUNHO. Horário: 9:00 as 11:00 e 14:30 as 16:30 horas. Local: Teatro de Arena do SESC. 3. Contadores de História 2. Instrutor: Celso Sisto. Carga horária: 4 horas. Data: 1 e 2/JUNHO. Horário: 19:00 as 21:00 horas; Local: Teatro de Arena do SESC. 4. Contadores de Histórias 3. Instrutor: Celso Sisto. Carga horária: 4 horas. Data: 3/JUNHO. Horário: 9:00 as 11:00 e 15:00 as 17:00 horas. Local: Teatro de Arena do SESC. 5. Produção e Difusão da Cultura: a utilização dos espaços tradicionais e das novas mídias. Instrutor: Nelson Patriota. Carga horária: 8 horas. Data: 3 e 4/JUNHO. Horário: 9:00 as 11:00 e 15:00 as 17:00 horas.Local: Auditório da Prefeitura Municipal de Rio Branco. 6. Literatura e cinema. Instrutor: Fernando Monteiro. Carga horária: 10 horas. Data: 2, 3 e 4/JUNHO. Horário: No dia 2/06: 9:00 as 11:00. Nos dias 03/06 e 04/06: 9:00 as 11:00 e 15:00 as 17:00 horas. Local: Teatro Hélio Melo 7. Literatura infanto/juvenil. Instrutor: Luiz Galdino. Carga horária: 8 horas. Data: 4 e 5/JUNHO. Horário: 9:00 as 11:00 e 15:00 as 17:00 horas. Local: Teatro de Arena do SESC. 8. Histórias em Quadrinhos. Instrutor: Cláudio Oliveira. Carga horária: 8 horas. Data: 5 e 6/JUNHO. Horário: 9:00 as 11:00 e 15:00 as 17:00 horas. Local: Auditório da Prefeitura Municipal de Rio Branco. 9. Ateliê de Histórias. Instrutor: Tapetes Contadores de Histórias. Carga horária: 9 horas. Data: 3, 4 e 5/JUNHO. Horário: 18:00 as 21:00 horas. Local: Teatro de Arena do SESC OFICINAS ESPECIAIS 1. Criação Literária. Instrutor: Raimundo Carrero. Carga Horária: 12 horas. Data: 29, 30 e 31/MAIO. Horário: 9:00 as 11:00, e 15:00 as 17:00 horas. Local: Auditório da Prefeitura Municipal de Rio Branco. CONVERSA COM ESCRITOR 1. Conversando com Fernando Monteiro. Data/horário: 1/JUNHO, 15:00 as 17:00 horas. Local: Auditório do CEBRB. 2. Conversando com Marcus Accioly (Aula espetáculo). Data/horário: 1/JUNHO, 9:00 as 11:00 horas. Local: Auditório do CEBRB. 3. Conversando com Luiz Galdino. Data/horário 2/JUNHO, 9:00 as 11:00 horas. Local: Auditório do CEBRB. 4. Conversando com Vilma Arêas. Data/horário: 2/JUNHO, 15:00 as 17:00 horas. Local: Auditório do CEBRB. 5. Conversando com Luis Ruffato. Data/horário: 3/JUNHO, 9:00 as 11:00 horas. Local: Auditório do CEBRB. 6. Conversando com Jomard Muniz de Britto. Data/horário: 3/JUNHO, 15:00 as 17:00 horas. Local: Auditório do CEBRB. 7. Conversando com Alexei Bueno. Data/horário: 4/JUNHO, 9:00 as 11:00 horas. Local: Auditório do CEBRB. 8. Conversando com Hildeberto Barbosa. Data/horário: 4/JUNHO, 15:00 as 17:00 horas. Local: Auditório do CEBRB. 9. Conversando com Márcio Souza. Data/horário: 5/JUNHO, 9:00 as 11:00 horas. Local: Auditório do CEBRB. 10. Conversando com Cláudio Aguiar. Data/horário: 5/JUNHO, 15:00 as 17:00 horas. Local: Auditório do CEBRB. 11. Conversando com Ignácio de Loyola Brandão. Data/horário: 7/JUNHO, 15:00 as 17:00 horas. Local: Filmoteca da Biblioteca Pública. 12. Conversando com Francisco Gregório. Data/horário: 1/JUNHO, 9:00 as 11:00 horas. Local: Sala de Cinema do SESC. 13. Conversando com Fábio Lucas. Data/horário: 1/JUNHO, 15:00 as 17:00 horas. Local: Sala de Cinema do SESC. 14. Conversando com Nelson Patriota. Data/horário: 2/JUNHO, 9:00 as 11:00 horas. Local: Sala de Cinema do SESC. 15. Conversando com Jorge Tufic. Data/horário: 2/JUNHO, 15:00 as 17:000 horas. Local: Sala de Cinema do SESC. 16. Conversando com Homero Fonseca. Data/horário: 3/JUNHO, 9:00 as 11:00 horas. Local: Sala de Cinema do SESC 17. Conversando com Antonio Roberto Bertelli. Data/horário: 3/JUNHO, 15:00 as 17:00 horas. Local: Sala de Cinema do SESC. 18. Conversando com Cláudio Oliveira. Data/horário: 4/JUNHO, 9:00 as 11: 00 horas. Local: Sala de Cinema do SESC. 19. Conversando com Rogério Pereira. Data/horário: 4/JUNHO, 15:00 as 17:00 horas. Local: Sala de Cinema do SESC. 20. Conversando com Gilberto Mendonça Teles. Data/horário: 5/JUNHO, 15:00 as 17:00 horas. Local: Sala de Cinema do SESC. MESAS REDONDAS 1. A Política de Leitura nos Sistemas de Cultura e Educação do Acre. Data/horário: 31/MAIO, 9:00 as 12:00 horas. Local: Filmoteca da Biblioteca Pública Estadual. 2. A Integração do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas com as Bibliotecas do Sistema Estadual e Municipal de Educação. Data/horário: 31/MAIO, 15:00 as 18:00 horas.Local: Filmoteca da Biblioteca Pública Estadual. 3. O Livreiro Arthur Jerosch. Data/horário: 30/MAIO, 16:00 as 18:00 horas. Local: Filmoteca da Biblioteca Pública Estadual. ENCONTROS 1. Encontro de Escritores do Acre. Data: 01 a 03 de JUNHO. Horário: 19:00 as 22:00. Horas. Local: Auditório do CEBRB. 2. Encontro de Contadores de Histórias. Data: 06 de JUNHO. Horário: 12:00 as 00:00 hora. Local: Teatro de Arena do SESC. ATIVIDADES ESPECIAIS 1. Conferência: Por que contar histórias. A ser proferida pelo escritor Francisco Gregório, na abertura do Encontro de Contadores de História do Acre. Data/horário: 29/MAIO, as 15:30 horas. Local: Filmoteca da Biblioteca Pública Estadual. 2. Homenagem ao escritor Francisco Gregório, Homenageado da Bienal. Data/Horário: 29/MAIO, as 17:00 horas. Local: Filmoteca da Biblioteca Pública Estadual. 3. Conferência: Por que Escrever. A ser proferida pelo escritor Fábio Lucas, na abertura do Encontro de Escritores do Acre. Data/horário: 2/JUNHO, as 19:00 horas. Local: Auditório do CEBRB. 4. Sempre um Papo: Conversa com Marcio Souza. Data/horário: 4/JUNHO, 19:30 as 21:30 Horas. Local: Auditório do CEBRB. SESSÕES DE AUTÓGRAFOS DATA: 30e 31/MAIO, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7/JUNHO. Local: Estandes 17, 18, 19 no Setor “D”, na Praça da Revolução Plácido de Castro. APRESENTAÇÕES ARTÍSTICAS 1. Peças teatrais/Contação de Histórias/ Recitais de cordel/Aulas espetáculo. Data/horário: 30, 31/MAIO, 1, 2, 3, 4, 5, 6/JUNHO, Manhã: 9:30 as 11:00 horas; Tarde: 16:00 as 17:30 horas. Locais: Praça da Biblioteca Pública Estadual e Anfiteatro da Praça da Revolução Plácido de Castro. 2. Recitais de Música. Datas: 30 e 31/MAIO, 1, 2, 3, 4, 5 e 6/JUNHO. Horário: 19:00 as 20:00 horas. Local: Anfiteatro da Praça da Revolução Plácido de Castro. 3. Concerto com a Orquestra Sinfônica do Acre. Local: Av. Brasil. 19:00 horas. 4. Recitais de Poesia. Data: 31/MAIO, 1, 2, 3, 4, 5 e 6/JUNHO. Horário: 17:00 as 18:00 horas. Local: Anfiteatro da Praça da Revolução Plácido de Castro. 5. Atividades com Crianças. Data: 30, 31/MAIO, 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7/JUNHO. Local: Praça da Biblioteca Pública. 6. Mostra de Filmes Brasileiros: Cinema e Literatura. Data/Horário: 31/MAIO, 1, 2, 3, 4, 5 e 6/JUNHO as 19:00 horas. Local: Filmoteca da Biblioteca Pública Estadual. EXPOSIÇÃO DE ARTES PLÁSTICAS Chico Mendes Segundo Rivasplata. Data: 29,30 e 31/MAIO, 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7/ JUNHO. Horário: 9:00 as 20:00. Local: Hall do Mira Shopping RECITAL ESPECIAL DE POESIA 1. Leitura do poema dedicado ao líder ecologista Chico mendes pelo poeta Thiago de Melo. Data/Horário: 30 de MAIO as 19:00 Horas. Local: Filmoteca da Biblioteca Pública Estadual 2. Leitura de poemas através do sistema de alto-falantes instalado no interior da Feira para anunciar a programação e notícias, denominado de A VOZ DO POSTE.
COORDENADORES DE MESA / PAINÉIS / PALESTRAS / CONFERÊNCIAS CLODOMIR MONTEIRO - A Moderna Literatura Nordestina; - O Escritor e Seus Personagens. ARQUILAU DE CASTRO MELO - Euclides da Cunha: Jornalista, Ensaísta, Ficcionista e Demarcador de Fronteiras. MARCOS AFONSO PONTES - A Moderna Poesia Brasileira; - A Moderna Literatura da Amazônia. MARCOS VÍNICIUS - Monteiro Lobato e a Literatura Infantil no Brasil. OLINDA BATISTA ASSMAR - A Moderna Crítica Literária Brasileira. PEDRO VICENTE COSTA SOBRINHO - O Popular e Erudito na Literatura de Cordel. HELENA CARLONI - A Política Nacional do Livro e da Leitura. BRUNO CÁSSIO ALMEIDA DA SILVA - Jornalismo Cultural: Velhas e Novas Mídias. CONCITA MAIA - A Mulher na Literatura Brasileira. LUISA GALVÃO LESSA - Literatura e Memória. FRED PERILLO – Sempre Um Papo - Conversa com Márcio Souza.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O Acre Moderno - é mesmo motivo de risos

José Carvalho. A Primeira Insurreição Acreana

Jose_Carvalho. A primeira insurreição acreana Jose_Carvalho. A primeira insurreição acreana Professores Egina Carli e Eduardo Carneiro

Do Acre aos Andes (I)

Por Marcos Vinicius. Fonte: http://www.pagina20.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=6292&Itemid=24 Nas ultimas semanas vimos como o Acre foi inventado a partir do fim do século XIX. Agora chegou a hora de vermos o que o Acre era antes. Forças antigas, caminhos, contatos e tradições esquecidas que voltam à tona para orientar o que será. ProblematizandoTudo parece indicar que a partir do ano que vem a Estrada do Pacífico será totalmente concluída e passaremos a desfrutar da possibilidade de um contato mais intenso com os Andes e sua magnífica cultura milenar que transborda em cada rua de Cuzco, em cada uma das centenas de ruínas Incas, ou de outras culturas ainda mais antigas, espalhadas por diversos países dessa outra América que fala espanhol, quéchua e muitas outras línguas e que conhecemos tão pouco. Quem já teve oportunidade de conhecer o Lago Titicaca, Macchu Picchu e os picos nevados, que nos fazem sentir tão pequenos diante da força incomensurável da natureza, sabe do que estou falando. Por outro lado, seria um grave erro ver essa possibilidade de novos e mais profundos contatos com nossos vizinhos andinos apenas por seus aspectos positivos. A situação da fronteira do Acre com o Peru já é bastante grave e complicada há muitos anos. Madeireiros e traficantes estão apertando o cerco sobre as comunidades indígenas e tradicionais de uma vasta região da floresta amazônica ocidental. E pra piorar ainda mais a situação a estes se juntam agora grandes empresas petrolíferas, numa reedição do tempo em que a Amazônia foi território de ninguém à disposição de toda sorte de “conquistadores” a serviço do capital internacional. Na verdade, os movimentos do capitalismo sobre as regiões produtores de matérias primas são cíclicos. E toda história da Amazônia revela exatamente essas idas e vindas dos “colonizadores”. Sejam eles os portugueses e espanhóis do século XVI, os ingleses e norte-americanos do ciclo da borracha do século XIX, ou os atuais agentes transnacionais que representam os gigantes e poderosos conglomerados financeiros globais. Os resultados dessa história, que só aparentemente parece se repetir de tempos em tempos, são bem conhecidos: a expropriação das populações tradicionais e regionais e a retro alimentação do circulo vicioso da exclusão de muitos e o enriquecimento de poucos. Por isso, mais que nunca, é chegada a hora de nos perguntarmos: pra onde nos levará essa estrada? Um caminho antigoJá tive oportunidade de escrever, aqui nesta coluna, sobre a forma como estou tentando entender a história de uma vasta região que chamei de “Grande Aquiry” e que se estende desde a cordilheira, passando pela montaña florestada e chegando até as densas florestas das terras baixas amazônicas. Uma região antiga, anterior à configuração do atual estado do Acre, que era culturalmente muito sofisticada e foi interligada por diversos laços comerciais e sociais dos quais pouco sabemos atualmente. Uma história que podemos entrever através da arqueologia, através dos relatos dos viajantes do século XVI ao XIX, através da cultura material indígena dos povos que ainda hoje habitam toda essa vasta área. Com isso estou dizendo que a, aparentemente nova, Carretera Interoceânica nada mais é do que a reedição de um caminho que já existiu e que deixou marcas que até hoje são visíveis se quisermos, ou pudermos, enxergá-las. Mas também que, como naquela outra época, uma nova utilização deste caminho haverá de provocar conseqüências tanto para os que moram lá, como para os de cá da fronteira. E devemos nos preparar para isso, antes que seja tarde. Acredito firmemente, portanto, que a estrada do Pacífico haverá de mudar tudo por aqui em um futuro não muito distante, mas também que há maneiras de usar essas mudanças a nosso favor. Por isso, nas próximas semanas espero poder trazer a esta coluna a história dos Incas que dominaram o Altiplano, a história dos povos Antis da grande floresta, a história do Mojos que se desenvolveram nos Llanos (terras alagáveis) ao sul, bem como os pontos comuns entre todos estes povos e histórias. Quem sabe, neste caso, o fortalecimento da cultura tradicional e o aprofundamento de nossa consciência histórica possa ser uma poderosa maneira de encarar os desafios advindos dos “novos” tempos que já se anunciam.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

SE EU FOSSE OS ÍNDIOS: AS LÍNGUAS

(José Ribamar Bessa Freire 17/05/2009 - Diário do Amazonas) “Teve um tempo que nós, para viver, precisamos nos calar. Hoje, nós, para viver, precisamos falar”. (Pajé Luiz Caboclo – índio Tremembé do Ceará) Se eu fosse os índios – não UM índio, mas OS ÍNDIOS que vivem nesse chão que é hoje o Brasil - aproveitaria a Conferência Regional de Educação Escolar Indígena, que começa amanhã, em Manaus, e diria para o Ministério da Educação o seguinte: hoje, nós, para viver, precisamos falar. Por isso, nas novas diretrizes que vão ser formuladas em setembro de 2009, na I Conferência Nacional, em Brasília, nós, índios, queremos deslocar TODO o peso da educação para o uso de nossas línguas, que são portadoras dos demais saberes.
Durante 500 anos – eu diria ao ministro Fernando Haddad – ficamos mudos, sem voz. Proibiram nossas línguas e tudo que era guardado e transportado nelas: conhecimentos, pensamentos, afetos, história, memória, narrativas, mitos, cantos, poesia. O padre João Daniel conta que em 1750 um missionário espancou uma índia do Marajó com ‘bolos’ de palmatória, dizendo: “Só paro de bater quando você disser ‘basta’, mas não na tua língua”. Ela calou. Suas mãos sangraram, mas ela não traiu a língua-mãe.
No entanto, nem todos conseguiram resistir assim. Eram mais de 1.300 as línguas faladas no Brasil. Cerca de 1.100 foram extintas na base da porrada e com elas desapareceram saberes milenares. Sobraram menos de 200 línguas, vivendo na clandestinidade, cochichadas, sussurradas. Falávamos escondidos, exclusivamente dentro das aldeias, línguas que nunca entraram na escola, de onde foram enxotadas e banidas. Nos internatos salesianos do Rio Negro, quem abria a boca em sua língua materna era castigado sem dó nem piedade, isso até recentemente, até 1988, quando a Constituição nos devolveu o direito à fala.
Foi uma grande conquista! Já não precisamos mais mandar nossos filhos para uma escola glotocêntrica e monolíngüe, que discriminava a língua adquirida no colo da mãe e tentava, sem sucesso, nos alfabetizar em uma língua estranha, que não falávamos. Com pretensão de ser uma fábrica de fazer brancos, a escola nos emudecia, porque, por um lado, reprimia nossas línguas maternas e, por outro, não nos tornava competentes na língua oficial. Ficamos sendo os sem-línguas.
Com a Constituição, conquistamos o direito de aprender a ler em nosso idioma, de usá-lo como língua de instrução nas primeiras séries e de aprender o português como segunda língua. Assim, a língua que expressa nossa alma e que só era falada em casa, ganhou legalmente um novo espaço: a sala de aula, onde também – agora para valer – o português passou a ser uma segunda alternativa, planejada, como escolha nossa e não como imposição do colonizador.
No entanto, falta ainda muito a conquistar – eu diria ao MEC. São quase 2.500 escolas indígenas, mas muitas delas, em vez de ensinar na língua, dedicam um curto tempo para ensinar a língua. Não existe material de leitura nelas, o currículo nem sempre é intercultural, os cursos de formação de professores não são bilíngües e, diante da televisão monolíngüe que invade as aldeias engrolando uma variedade do português que não é a nossa, as crianças, os jovens e até muitos de seus pais se perguntam: por que preservar uma língua indígena? Para que serve uma língua sem prestígio?
A cada quinze dias morre uma língua no planeta, entre outras razões porque seus usuários perderam o orgulho e o desejo de falá-las. No mundo existem 6.700 línguas, mais de 5.000 delas ameaçadas. Nossas línguas, consideradas como se estivessem no corredor da morte, na realidade não são moribundas, mas anêmicas e podem ser revitalizadas.
Alguns de nós, cujas línguas já estão mortas, conseguimos transferir parte de nossos saberes para a língua portuguesa – um português indianizado, com a nossa cara, que é discriminado, mas que queremos também seja respeitado. O escritor português José Saramago disse que existem várias línguas faladas em português. Nós não queremos que desapareça a nossa forma de falar, nem na língua indígena, nem no português que falamos marcado pelo contato entre línguas.
Somos povos da oralidade, eu explicaria ao MEC, se fosse os índios. Então, nós, índios, queremos fortalecer a expressão oral, mas precisamos também – não todos, mas muitos de nós – da escrita, essa técnica poderosa capaz de aprisionar o som, como quem agarra a fumaça com a mão para guardá-la num paneiro. Queremos nos apoderar da escrita, que confere prestígio, em nossas línguas e em português.
Mas a escrita que queremos é uma escrita viva, não uma escrita funerária, onde o livro parece um caixão que guarda o cadáver das palavras, que nunca mais serão pronunciadas. Ler é ver o som, ver um desenho que nos permite reconstituir o som. Queremos uma escrita que alimente nossa oralidade, em uma escola que desenvolva a escrita em nossas línguas, como um meio de afirmação histórica, política, de criação artística e de cidadania.
A língua, veículo de experiências milenares, é um modo de ver, perceber e pensar. Queremos escritores indígenas publicando narrativas, poesia, cantos em nossas línguas. Queremos ganhar a letra, mas sem perder a palavra. Sonhamos com uma escola que promova tanto a oralidade como a escrita em língua indígena para que sejam valorizados os conhecimentos, tradições e saberes dos anciãos. Queremos ler e escrever bem em nossa língua e em português, mantendo o bilingüismo para sempre, não um bilingüismo transitório que seja mera ponte para o monolinguismo em português. Nós, que já fomos os sem-línguas, agora ambicionamos ter as duas línguas.
A língua é arquivo da história, é a canoa do tempo, responsável por levar os conhecimentos de uma geração à outra. Pretendemos remar as duas canoas, que já fazem parte de nossa vida: uma carregada de saberes tradicionais, a outra com os novos saberes, ambos necessários para nossa sobrevivência e para a afirmação da nossa identidade. Lutamos por um bilingüismo que guarde a nossa memória em português e em uma língua indígena, re-atualizando permanentemente os saberes que elas veiculam. A maioria de nós, hoje, não pode mais viver sem as duas, que já fazem parte do nosso jeito de ser.
Se eu fosse os índios e o MEC me ouvisse, diria: ganhamos um espaço na escola, que precisa ser consolidado. Mas isso ainda é pouco para manter o bilingüismo. Queremos ampliar os espaços dos usos sociais de nossas línguas. Na Bolívia, Peru e Equador, programas de rádio e televisão, além de espanhol, falam quéchua e aimara.
No Brasil, há alguns anos, proibiram o uso do Nheengatu num programa de rádio no rio Negro, alegando que a Constituição não permitia o uso de “língua estrangeira”. O problema só foi contornado quando uma lei municipal decretou o Nheengatu, o Baniwa e o Tukano como línguas co-oficiais em São Gabriel da Cachoeira (AM). Queremos que nossas línguas sejam co-oficializadas nos municípios onde são faladas, para que não sejam consideradas mais como estrangeiras em nossa própria terra.
Queremos que nossas línguas, que saíram da aldeia e entraram na escola, agora ocupem espaços nos livros, nas bibliotecas, nos museus e em programas bilíngües de rádio e TV. Desejamos explorar novos tipos de oralidade e de escrita surgidos com as tecnologias da informática, do vídeo, porque a palavra já superou as limitações do espaço e do tempo.
Antes, só se podia falar com quem estivesse na presença da gente. Hoje, o telefone e a internet permitem que uma aldeia guarani do Rio Grande do Sul se comunique com os Tuyuka no rio Tiquié (AM). Além disso, podemos ouvir a voz gravada de alguém que já morreu. Hoje, os mortos falam. Queremos criar espaços culturais que abriguem arquivos sonoros, com o material coletado em línguas indígenas.
As novas diretrizes – eu reivindicaria ao MEC, se fosse os índios - devem apontar para o uso das línguas também FORA da aldeia e do espaço escolar, em maior número de âmbitos e funções, inclusive em espaços urbanos. Segundo o último censo do IBGE (em 2.000), os índios no Brasil eram 734.127, dos quais a metade vivia nas cidades. A projeção para o ano 2.010 é de que ultrapassaremos um milhão de habitantes. Reivindicamos que o MEC tenha uma política educacional e de línguas para nossos parentes que vivem nas cidades, transformadas em cemitérios de línguas indígenas. O último falante da língua baré está enterrado em Manaus.
Precisamos de mais pesquisadores estudando nossas línguas – os que existem são insuficientes. Esperamos que o MEC incentive as universidades a formar índios em Lingüística. Queremos bibliotecas, videotecas e mitotecas bilingües, onde possamos acessar nossos conhecimentos. Necessitamos produzir textos e vídeos em nossas línguas maternas e queremos capacitação para isso. Nos cursos de formação de professores indígenas, os formadores, entre outros, devem ser índios já formados e os velhos reconhecidos pelo saber, competentes em língua indígena.
Queremos sair do confinamento em que fomos colocados e participar da Lei 11.645, que torna obrigatória a temática indígena no sistema nacional de educação escolar. Podemos contribuir para que a escola do branco mude a imagem preconceituosa que construíram sobre nós, índios. Queremos revitalizar nossas línguas, que são línguas de resistência. É dramático ter de falar, sozinho, diante do espelho como fez Tikuen, índio Xetá, por falta de interlocutores.
Queremos nos apoderar dessas tecnologias: rádio, telefone, gravador, filmadora, TV, computador e combinações de uns com os outros – fax modem, base de dados, multimídia. Vale tudo para fortalecer a língua e a tradição. Queremos que a Escola, o Museu, a Rádio e a TV promovam um novo movimento cultural, revolucionário, que desenvolva nossas línguas e incentive seu uso por parte das crianças e dos jovens. Só assim elas serão salvas e só assim nós poderemos falar, em vez de calar. Para isso, basta, apenas, trocar uma letra. Essa é uma questão de vida ou morte: nossa e das línguas que falamos.
Sobre nossos ombros, o peso e a responsabilidade de salvar um patrimônio, que não é só nosso, mas do Brasil e da humanidade. Queremos que o MEC nos dê instrumentos para preservá-lo. Era isso que eu diria ao MEC, se eu fosse os índios. Escreveria em português, para o MEC entender, mas traduziria para cada uma de nossas línguas, para que cada um de nós leve essa mensagem no coração.
P.S. – Escrevo do Ceará, durante o intervalo de um seminário sobre museus indígenas, que é outra forma de fala dos índios. Mudando de assunto, se eu fosse, NÃO os índios, mas apenas UM índio, daria flechadas na bunda dos Irmãos Metralha, irmãos do vice-governador do Amazonas Omar Aziz. Eles invadiram uma sala da Universidade Federal do Amazonas e espancaram o professor Gilson Monteiro, por discordarem do conteúdo de sua aula. Esses dois brucutus nem suspeitam o que é liberdade de expressão. No próximo domingo, abordaremos essa questão.

O Blog recomenda a leitura de "Micropolítica: cartografia do desejo" (Félix Guattari)

Guattari, Felix - Micropolítica Guattari, Felix - Micropolítica api_user_11797_mov460

Virou Notícia: sobre a Autonomia do Acre

PERIODICO: CORREIO DO ACRE DATA: Anno I , 20 de novembro de 1910 - Nº 11 LOCAL: Xapury - Departamento do Alto Acre Pág. 2 - Col. 3 e 4
Acervo Digital do Departamento Histórico do Acre. TÍTULO: O ACRE NÃO TEM CAPACIDADE PARA SER AUTONOMO. O ACRE AUTONOMO SERIA O TERRITORIO MAIS INFELIZ DO BRAZIL Agora, que o governo da Republica acaba de receber communicação official de reinar inteira calma no Territorio do Acre, é natural, é justo que se volte a cuidar de melhorar as condições desse rico pedaço da nossa terra. Ás classes dirigentes da Repubica impõe-se esse dever inilludivel. Entretanto, grande prudencia e sabedoria devem presidir ás deliberações que nesse sentido se tomem. E para que, na medida das nossas forças, possamos contribuir para o esclarecimento dos nossos homens publicos sobre a situação actual do Acre, iniciamos hoje a publicação de uma serie de artigos que nos enviou um patricio illustre, vindo ha pouco daquellas regiões, que por largo tempo palmilhou.
É um espirito culto e independente, sem ambições que o subjuguem, sem interesses, sem cobiça, sem parcialidade. E pelas suas palavras, pelo seu desassombro, pela intrepida sinceridade dos seus conceitos, o governo e os legisladores devem meditar sobre o seu depoimento. “Essa historia da autonomia do Acre está se tornando uma velha canção de realejo, batida e estafante. É preciso dizer a verdade sobre ella e pôr um ponto final em toda essa campanha feita de inconfessaveis desejos, de mascaradas ambições, e sustentada por um enorme bando de aventureiros e traficantes, que a todo o transe procuram se apoderar da renda daquelle Territorio, illudindo, illaqueando a boa fé, a ingenuidade de alguns homens de responsabilidade perante a Nação.
Ponhamos a questão neste pé: - Póde o Acre ser autonomo? Tem elle capacidade para lhe serem conferidos taes direitos? Há em seu Territorio cidadãos capazes de preencher e exercer todos os cargos de responsabilidade em que se dividem os diversos ramos da administração publica? A sua população é fixa, ligada ao solo por multiplos interesses, ou é uma população quasi nomade, erradia, sem o caracter de definitivo? Qual a vantagem palpavel e real que traz a autonomia para as classes laboriosas e para o proprio progesso da região acreana? Não será antes uma desvantagem conceder -se tal direito a quem não se acha sufficientemente preparado, podendo advir dahi irregularidades insanaveis, sérios abusos; violencias, depredações, attentados a vida e às propriedades dos habitantes do Acre? Os chefes do movimento autonomista, pelo menos os que aqui se acham, são pessoas de valor moral acima de quaesquer suspeitas?
Que nos respondam os homens de boa fé, independentes e sérios. Reflictam os nossos legisladores sobre todos estes pontos da questão acreana pescrutem, indaguem, analysem todos os problemas que se predem a um caso de tanta relevancia e vejam se pode haver autonomia onde, nem mesmo com a direcção do governo federal, ha garantias seguras e certas para os habitantes daquella malfadada região.
Para se avaliar que possa ser o Acre autonomo, longe da tutela do governo da união, basta relatarmos o que ali se passou, quando ficou imcumbido da prefeitura do Alto Acre, na ausencia do capitão Gesuino de Albuquerque, o Coronel Alencar, indigitado para o futuro governador daquella zona e que aqui se acha dizendo-se enviado do povo acreano e pacificador do jurúa.
Vendo-o, mellifluo e affavel, manso e delicado, ninguem irá que debaixo dessa mansidão e dessa delicadeza, se esconda um verdadeiro typo de coronel sertanejo, autoritario e violento, sanguinario e máo, cheio de despeitos e inveja, vaidoso, fófo e ridiculo. Durante a sua negregada administração, como prefeito interino, deram-se naquelle departamento os mais graves abusos, as maiores violencias, que a imprensa desta capital, com especialidade do correio da noite, profligou e analysou profundamente.
Armou um bando de secarios, sob o commando do canguaceiro Bacuráo, para perseguir todos os amigos de Placido de Castro; poz a villa do Xapury em estado de sitio; fechou violentamente o jornal o Acre; mandou prender e espancar barbaramente o seu redactor. Justo Gonçalves da justa e Julio Tupy, espancando de um assasinato o certo o honrado negociante Coronel Francisco Conde, foi se ter foragido.
Na villa de rio branco era encarcerado o juiz Otavio Stenier do Campo e o tabelião Octavio Fontoura teve de fugir para o seringal bagaço, levando consigo o cartorio, para não ser victima de sania homicida do Coronel Alencar. Muitas outras violencias praticou o sr. Coronel Antonio Antunes Alencar quando prefeito interino; calcula-se agora o que não faria sua exc. Governador daquelle infeliz territorio, entregue ao temperamento do chefete local, que não admitte que ninguem deixe de render homenagem ao seu talento e à sua illustração.
Pois é esse homem feroz, inimigo de Placido de Castro, portado de uma fé de officio tão cheia de crimes, que aqui vem, como embaixador. A ursi todos os protagonistas da autonomia do Acre são typos do quilate desse coronel - autoritario e violento. Ninguem se illuda com os interinos e as pretenções dessa gente, que apenas, quer arranjar um meio de “cavação”, em detrimento dos reais interesses do Acre.
Nós aqui ficamos para orientar a opinião publica sobre as coisas e os homens do Acre, para que se não diga depois, quando o mal fôr irre mediavel, que não houve quem dissesse a verdade, quem esclarecesse ao paiz e o publico sobre a sorte que teria o Acre autonomo”. ( Da Gazeta da tarde do Rio de Janeiro, 3 de setembro).

domingo, 3 de maio de 2009

A INSUSTENTABILIDADE DO MOVIMENTO CULTURAL DO ACRE*

Por João Veras - é conselheiro titular da cadeira de música do Concultura-Ac.
Estamos vivendo, no Brasil, um forte ambiente de institucionalização da participação social, o que tem ocorrido por meio da jovem experiência formal de compartilhamento, entre o estado e a sociedade, nas formulações e avaliações das políticas públicas estatais, pela via dos conselhos. Nós produtores culturais temos participado, aqui no Acre, da efetivação da proposta, formulado pelo Ministério da Cultura, de sistemas federal, estaduais e municipais de cultura, cuja base centra-se no vetor da participação social no âmbito da construção de políticas públicas de cultura. A idéia tem sido facilmente aceita, principalmente porque, não se pode duvidar, se coaduna com as aspirações históricas de participação dos movimentos culturais, assim como empresta legitimação social aos poderes públicos para efetivar suas políticas para a área. Todavia, não estou convencido de que, nosostros deste lado do balcão, estejamos em condições de garantir uma representatividade qualitativa e legítima frente aos órgãos colegiados disponíveis. Não estou certo, ainda, de que nossa atuação, de nós da sociedade, seja sustentável sob ponto de vista político. E a questão perpasa, sobretudo, pela maneira pela qual representamos e somos representados. Trago aqui a experiência porque passa, neste aspecto, a representatividade no Conselho Estadual de Cultura-Concultura. Observa-se, historicamente no Acre, um movimento social de cidadania cultural atuante. Sua visibilidade se encontra no conjunto de atuações de organizações culturais, formais e informais, assim como de ações individualizadas de produtores culturais, caracterizando, de fato, um movimento da sociedade civil no campo das reivindicações de políticas públicas, muito embora não devamos deixa de considera visível certo caráter de precariedade desse movimento tendo em vista a sua relativa organicidade. A realização, em 2004, do Seminário sobre Conselho de Cultura, o ato formal de implantação, em 2005, do Concultura, e a realização, que se seguiu, do Fórum Estadual do Movimento Cultural do Acre, através do qual foram eleitos os representantes das áreas artísticas para ocuparem as cadeiras da sociedade civil no Concultura, se constituem em atos que foram, em grande medida, resultados diretos da ação desse movimento. Cabe mencionar, ainda, a recente participação igualmente substanciosa do movimento cultural nos debates e definição do arcabouço jurídico do Sistema de Cultura da Cidade de Rio Branco. Pelo conjunto mais recente de sua atuação, se há algo que esse movimento parece desejar, esse algo pode se chamar participação. Todavia, apesar do avanço no campo da integração desse movimento ao processo de institucionalização da participação social na máquina pública, é patente que, comparando com outras épocas, o mesmo tem sofrido uma significativa oscilação para baixo, melhor dizendo, tem se apresentado em quantidade e representatividade muito aquém do que já foi e, sobretudo, das condições e potência de organização que hoje a sociedade civil, na esfera da cultura, dispõe. As demandas culturais, bem assim a população de produtores culturais se apresentam muito mais diversas e maiores que no passado. No entanto, as organizações representativas têm desaparecido em proporção inversa, o mesmo acontecendo em relação àquela efetiva atuação individualizada. A mim parece evidente vivermos, em todas as instâncias da sociedade brasileira, um descrédito tanto da representatividade coletiva autônoma quanto do exercício individual da cidadania, o que felizmente não se constitui fato absoluto, tampouco imutável. É possível, nesse sentido, estarmos provando o germinar de um novo movimento de atuação diferenciada nos diversos mecanismos de participação constituintes, por exemplo, do Conselho Municipal de Política Cultural de Rio Banco, que tem revelado novos protagonistas e novas possibilidades, não obstante sua lógica de representatividade não dar ênfase à representação dos organismos coletivos. No que este cenário atual de relativa inércia da representatividade coletiva tem resultado para o sistema institucional de representação do movimento cultural, é, a meu ver, o quadro de isolamento de grande parte daqueles conselheiros que foram eleitos para representarem a sociedade civil no Concultura, o que ocorre, a meu ver, graças a ausência de base social organizada que os sustentem e a quem, eles, os conselheiros, devem, em última instância, satisfação. Tal afastamento autoriza a possibilidade de sustentação de uma representatividade de caráter autárquico, pelo qual o representante passa a representar a si próprio (quando representa alguma coisa), pelo menos às suas crenças e idéias, e não, também, ao médio das proposições do movimento a quem representa. Os representados, nesse caso, ficam, ao longo do período do mandato, reféns da disposição e do compromisso moral e político do representante, considerando a ausência de dispositivo institucional que possibilite a deposição daquele represente que não esteja cumprindo com as suas obrigações de representação face às aspirações do conjunto dos representados. Não se pode deixar de considerar, por outro lado, que esta situação também enfraquece o representante e, por isto, a qualidade de sua representação, na medida em que, solitário, ele não dispõe de uma base que lhe dê força, sustentação e legitimidade sociais, tão necessárias à manutenção política do mandato. É evidente que esse distanciamento retira a substância da representação e coloca em xeque, numa medida significativa, o sentido da participação. Outro aspecto oriundo dessa nova fase da relação estado/sociedade é atribuir, especialmente por razões pragmáticas, uma centralidade aos conselhos de cultura entendendo estes como os únicos lócus e protagonistas do exercício político da cidadania cultural. Penso que tal entendimento só reforça o estado de imobilismo social o qual contribui para a subsunção do movimento ao bojo desse sistema de paridade institucional, quadro que possibilita sua neutralização política senão o condiciona, para não dizer condena, ao papel de objeto moderno de cooptação à força estatal, e, o que não é menos pior, tudo sob a máscara da participação. Penso que devamos conceber a organização social do movimento cultural, independentemente dos órgãos de paridade estatal, como imprescindível à dinâmica, à diversidade e à pluralidade das ações participativas da sociedade com vistas à consecução de processos de construção, manutenção e renovação das políticas públicas. Nesse passo, creio que o movimento cultural, diante de um modelo de institucionalização da participação que seja alheio a uma base social ativa, autônoma e externa que a legitime, muito dificilmente se sustenta como efetiva possibilidade de representação e participação sociais conseqüentes. * Este artigo é dedicado a Dalmir Ferreira.