sábado, 4 de setembro de 2010

Florestania: uma identidade maquiada do Governo Petista

Por Kelton Nogueira, licenciado em história e acadêmico do curso de bacharelado em Histórico/UFAC.
Este artigo reflete uma inquietação enquanto jovem acreano, acadêmico do curso de história, no ano de 1999. O povo do Acre deu um cheque em branco para a turma do PT em 1998. Ano este em que a Frente Popular foi eleita para o Governo do Estado do Acre, derrubando uma hegemonia da antiga oligarquia (da Família Melo e outras) instalada no Estado.
Sob a égide do legado de Chico Mendes e do discurso do Desenvolvimento Sustentado, nasce uma nova oligarquia (da Família Viana e outras). O cidadão acreano passou a ser “classificado” como “cidadão da Floresta”. A busca pela identidade é uma constante na vida das pessoas, e ela funciona como uma liga, que as mantém unidas a uma comunidade imaginada. O princípio da “Florestania” caiu bem para um povo com experiências sociais em espaços rodeados de florestas. Com efeito, às causas defendidas pela florestania precisavam estar em consonância com um projeto de desenvolvimento em bases de sustentabilidade, assim foi feito ou vem se tentando fazer. Parece que para nós, cidadãos acreanos, o que nos resta é assumirmos essa identidade. Como num passe de mágica, dizem que isso pode nos fazer melhorar de vida. Vejamos o que o maior sociólogo atualmente vivo diz: “o pertencimento e identidade não têm a solidez de uma rocha” Bauman. A identidade se perpetua até o momento em que o indivíduo se mantém fiel a ela e às determinações do grupo político que a impôs. No entanto, para nossa sociedade pós-moderna, onde como diria o próprio Marx: “tudo que é sólido desmanchar no ar”, o mundo está totalmente fragmentado, não dando para se formar uma identidade tão coesa, de modo que essa argamassa denominada de “Florestania” será pouco consistente. Para segurar as partes fragmentárias, diferentes e desabrochastes, nos propõem sempre alternância de forças imperativas: políticas, ideológicas e culturais. A grande questão é: será que temos uma história comum a todos, a ponto colocarmos todos os cidadãos num mesmo saco e fazermos um “bolo de florestania”? As identidades são flutuantes, onde algumas ficam ao sabor de nossas escolhas, mas outras nos envolvem e nos dominam pelo mundo e pelas pessoas em nossas volta? Em julho de 2002, foi publicado um artigo na revista acreana do governo: Outras Palavras, tratando-se dessa Florestania no Acre, onde Elson Martins cita que: “A Florestania pode ser um desses símbolos capaz de revolver questões atuais de produção, de educação, de comportamento, de valores éticos, de cultura, do bem estar geral das pessoas.” Florestania, nesse sentido, assume a identidade local de nosso Estado, que por meio do pertencimento imposto, tem-se nesse termo renovado suas funções integradoras e disciplinadoras. Até mesmo a identidade nacional passa a está sobreposta a essa identidade local. Percebemos que o Acre, com instauração do termo Florestania, fecha-se para os anseios da modernidade, que prega nos dias atuais que: o Estado é menos unificador sob regimes de oligarquias fechadas. Está claro que o atual governo age com maniqueísmo e sectarismo, não aberto ao diálogo e a própria auto-crítica. Vivemos um tempo de liberdades sufocadas, fomentou-se e se ergueu uma castanheira, da qual os “machados” não conseguem dá nem sequer um pequeno golpe na “inderrubável” castanheira. Podemos falar também do rolo compressor por que passa a gama de trabalhadores deste Estado, com todos sindicatos nas mãos do Governo. Certamente, se Chico Mendes estivesse vivo, discordaria dos rumos em que tomou seus ideais, ou do caminho que tomou o próprio partido, que outrora supostamente defendia as plataformas sociais, e de desenvolvimento sustentável, mas suas práticas são bem diferentes dos discursos. O fato é que o governo perdeu o brio, com desmandos ocultos, e sob uma plataforma essencialmente elitista, o partido tornou-se uma máquina de manutenção do poder. Enquanto no mundo pós-moderno, percebemos uma fragmentação das identidades, no Acre se vê o contrário. A “florestania” foi implantada como oficial e inquestionável. Já dizia Bakhtin, somos negados de “apreciar o universo do conhecimento com os olhos quase do humanismo [...] sem exclusão, capaz de apreciar o mundo justamente na sua variedade, riqueza e multiplicidade”. Aqui, estamos na contra-mão da história. Comumente vozes clamam com saudade de governos anteriores e de seus legados, mas não existe o antes, exceto para enaltecer nossos “novos heróis do mundo encantado”. “Este é o melhor lugar para se viver”!...Claro, como diria Manuel Bandeira, desde que sejamos amigo de rei. No final do primeiro mandato do Governo da Floresta, uma pesquisa feita pela REVISTA ISTO É, enquadrou a administração do governador eleito, engenheiro florestal Jorge Viana, empreendedor de ações que, em tese o identificam como o legítimo sucessor de Chico Mendes, como sendo uma administração das melhores do país; porém não poderíamos dá tal credibilidade ao resultado desta pesquisa. Isto por que, como sabemos, esta pesquisa representava um resultado parcial, além do mais, em meio a toda essa onda propagandista e de autopromoção do: “Salvador da Pátria”, ou “astro da Bandeira altaneira”, não deve ser descartada uma possível manobra desta pesquisa a seu favor. Como nos diz um dos ideólogos da Florestania: “o projeto de veiculação do discurso governamental e, naturalmente, construção e sedimentação ideológica da idéia da florestania não se limitou (nem poderia se limitar) ao veículo rádio, passando num segundo momento para o uso da televisão”. Há muitos que dizem que o PT veio à deriva da formação dos sindicatos rurais e urbanos no Acre, aonde veio também fortemente marcado com movimentos classistas interessados em seu próprio umbigo, ou seja, interesses econômicos, políticos, conchavos e forte clientelismo. Outros dizem que tal partido instalou-se aqui no Acre, assume postura progressista e de vanguarda, mas esse grupo veio mesclado do legado da Arena e do MDB, agora se auto-declaram os “eleitos Deus,” “os iluminados”. Alguns absurdamente chegam inclusive a afirmar que esta administração, que até então está no poder, já é a melhor entre todas outras que o Acre já teve. No entanto, para estes amigos da corte, gozadores de seus favores até pode ser; mas para àqueles que unicamente por sua postura neutra e desnudada, e por isso, têm inimigos aplicando rigores dos cárceres da lei e da falta de liberdade: absolutamente não! A hegemonia petista não se abre para liberdade, bem como não temos o direito de dialogar com as várias tendências, pois crêem eles que com isso arquiteta-se uma conspiração opositora. E esse é o legado que querem passar para nossa juventude: um relações políticas prostituídas e um “mundo de flores”. Está mais do que claro que precisamos fazer uma reavaliação deste grupo que se instalou no poder, onde na verdade de sustentável mesmo para o povo, nada tem a oferecer; pois os aspectos de vida do povo tanto, no campo, floresta ou cidade não tem melhorado, haja vista que sustentabilidade é um direito de todos a uma vida mais digna. Assim, independente de nossas preferências políticas e ideológicas, faz-se necessário que sejamos realistas e preocupados, continuamente com àqueles que, sempre estão esperando a vida melhorar, e pelo contrário até piorou; pois bem sabemos que se abriu nesses anos de governo petista houve um fosso de desigualdade social, novamente pesquisas manipuladas dizem o contrário. Cadê os 40 mil empregos? Não sejamos insensatos! Não somos da oposição político-partidária, nosso objetivo é defender a justiça social de fato, a liberdade democrática e um futuro para nossa juventude. Sabemos, infelizmente, que antigos companheiros e baluartes da militância outrora organizada e quase todos companheiros envolvido com a luta das classes trabalhadoras se deixaram banhar nas águas pútridas das vaidades do poder e das delícias da ditadura do capital, enfim, do poder sem pudor. Sobre isso, Rosa Lexemburgo nos ensina: “Não estamos perdidos. Pelo contrário, venceremos se não tivermos desaprendido a aprender”. E em outra passagem da mesma autora temos: “liberdade somente para os partidários do governo, para os membros de um partido, por numerosos que sejam não é liberdade. Liberdade é sempre a liberdade daqueles que pensa de modo diferente”. Ao analisar a figura de nosso atual grande “cacique” da política acreana, achamos até que não cometeremos risco de anacronismo ao “compará-lo” ao ditador russo Stalin ou até mesmo Luís XIV: o rei Sol. A sede de poder de ambos são semelhantes, o que muda talvez seja a forma deles obtê-la. O ex-governador do “povo da floresta” numa apresentação de livro diz: “durante todo o período em que governo do Estado do Acre, estou tendo a grande felicidade de poder celebrar junto com o povo acreano o Centenário da Revolução”. Ou seja, auto declara-se continuador de uma suposta nova Revolução Acreana. Em outra passagem temos: “Mas do que simples comemoração, todos esses eventos justamente com as obras e progressos desenvolvidos em nosso governo”. Nota que, nos lembra Luís XIV, quando dizia: O Estado sou Eu”. Também vemos aí, o mito de levantar estandartes aos heróis, ou colocando-se sob suas botinas, ou quem sabe viver à sombra deles. Percebemos aí uma auto-intitulação dos iluminados, os propagadores da nova ordem no Estado. Elegendo-se em cima de um discurso mentiroso e sob condições subjetivas: por exemplo: A VIDA VAI MELHORAR! enganadora, ex-governador e atual candidato ao senado Jorge “rei” Viana , o ambicioso petista demonstrou que soube muito bem trabalhar em cima da demagogia. Hoje passados seus dois mandatos e findo do mandado de seu sucessor, com o mesmo estilo, diga-se de passagem; porém não chega ao ponto de fazer o “DIP” acreano, e mandar prender e caçar loucamente algum engraçado que pinchava placas de obras “faraônicas” e superfaturadas do governo, com o seguintes dizeres: “Só inaugura na eleição! E de fato era verdade. E passado alguns anos, a vida não melhorou para a maior parte da população, pelos menos para os que de fora ficaram do governo, tampouco usufruíram o tão sonhado progresso. A violência em nosso Estado é uma denúncia disso que estou falando. A violência é uma das formas de ineficiência de conter a situação de miséria e pobreza do povo. No Acre, a violência cresce, o desemprego, a fome, e tem merecida razão a oposição, agora tão tacanha e sufocada, que nos diz: “Até agora as principais metas do governo estão sendo empurrada com a barriga”. Enfim, quase nada justifica essa tamanha popularidade de Jorge Viana, bem como de seu irmão Tião Viana candidato agora a Govenador, que prefaciando o livro de um historiador acreano conhecido, faz questão de apegar-se também ao mito do discurso fundador enaltecendo o governo Vianista, onde segundo ele, demagogicamente quase afirma que, qualquer outra força política pode nos apartar do caminho da luz, quando diz: “ainda hoje, muitas são dificuldades que a classe política, comprometidas com um modelo de desenvolvimento sustentável e empenhada em assegurar ao povo cidadania, enfrenta para construir os alicerces de um governo justo e igualitário”. Pura hipocrisia, o fato é que o que vimos até aqui, foi e está sendo uma administração medíocre, tanto a de seu irmão como de seu sucessor; onde todo governo construtor e aplicador da ideologia/cultura/política da florestania, se enquadraria, sendo-nos complacentes, como o seguinte governo: “O melhor dos piores e pior dos melhores”. Isto posto, pergunto-me: Como sustentar essa falsa Sustentabilidade da Florestania? Sabemos que “sustentabilidade é o direito que todos deverão ter de organizar, reinvidicar, trabalhar, produzir e apropria-se integralmente de sua produção”. Volto-me novamente a Rosa Luxemburgo: “Com homem preguiçosos, levianos, egoístas, irrefletidos e indiferentes, não se pode realizar o socialismo”. O que mostra que tal partido nunca foi de esquerda, mas enquadra-se perfeitamente nos adjetivos acima. Para refletirmos sobre esse tema não poderíamos deixar de nos apegar a gênese da criação deste partido aqui no Acre. E sem dúvida nenhuma, foi um movimento organizado. O PT acreano pode até já ter tido uma história de luta, desde a sua criação com componentes e fundadores trabalhadores, mas nunca um partido destes. Nunca foi também, um partido socialista, mas populista e de massa, e isso eles não negam. Aos trabalhadores sem tradição e expressividade, que se incorporaram aos quadros, alguns foram rechaçados, outros silenciados na verdadeira luta. Alguns expulsos, e outros ainda saíram do partido por conta própria em desacordo com posturas indecentes. Quando em 1981 o PT foi formado com uma rejeição às idéias totalitárias relacionadas à idéia de autoritarismo e fortes ingerências do grande capital. Eis o legado do PT. Contou com a participação de jovens de classe médias e burgueses. Aos trabalhadores que eram minoria, alguns tornaram bastantes conhecidos no meio político acreano e nacionalmente, como a Ex-Ministra Marina por questões éticas saiu do partido. O Partido que posteriormente tomaria o poder no Acre, demonstrou logo suas garras, voltando-se verdadeiramente contra os trabalhadores, e amordaçando a imprensa. Como diria George Orwell (Aqui no Acre) existe uma revolução dos bichos. E o que escrevo é uma fábula contra a sociedade totalitária Petista no Acre. Agora pergunto a nossa Juventude: Será que com um governo desse dá para vencer na vida?

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